domingo, 22 de novembro de 2009
In Vino Veritas
Sua poesia é mais viva que ele,
é seu oxigênio,
é seu vinho, seu mar...
Deixa o poeta rimar,
pois sem rima e sem métrica
a vida não vale,
o mundo não gira,
as férias não chegam...
Tantas constelações,
e o poeta só mira uma estrela...
que não está lá...
Deixa o vinho reger,
que a orquestra só toca
o que o poeta quer ouvir...
E que transbordem verdades!
E que borbulhem saudades!
E que gargalhem distâncias!
Pois o poeta entendeu...
Pois o poeta aprendeu...
Então, menina,
aceite seus versos,
sem medos, sem gestos,
apenas sorria...
Pois nem sempre o mundo
te chega já pronto,
lindo, perfumado,
vestindo poesia...
A noite, tão curta,
tão longe, tão linda,
se lembra, ainda,
do poeta criança...
E a taça, vazia,
vasculha o céu negro,
encontra a estrela,
e grita, e avança!
E o poeta sorri...
Pois entende que, no fim,
o que vale do encontro,
é apenas o encontro...
O resto, é depois...
Ao mestre poeta,
o poeta aprendiz
agradece, sorrindo...
se despede, feliz...
(Rodrigo Sestrem)
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Menina Terra
ainda assim eu escutaria teus sonhos,
soprados sem pressa em pifes,
sentados sem jeito nos trens...
E te veria girar nessa dança ancestral
de uma gente que sonha e que sua,
e que orbita sorrindo outro ser...
Pois teu nome é Planeta!
Se a tua boca não me sorrisse,
ainda assim eu devolveria alegria
arranhada em arcos e rabecas,
viajando com os pés num país...
E te veria pisar nesse solo sagrado
de uma gente que ri e que sua,
e que faz brotar outro ser...
Pois teu nome é Chão!
Se tua mão não me alcançasse,
ainda assim eu guiaria teus passos
pincelando em cordas de viola
ponteando pensamentos no ar...
E te veria plantar novas buscas
numa gente que pensa e que sua,
e que colhe sua chance de ser...
Pois teu nome é Berço!
(Rodrigo Sestrem)
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Quase Verso
Quase girassol...
Será por isso que é só quase amor
o que volta?
Véspera...
Quase Dia D...
Será por isso que esse verso
é quase revolta?
Mas tá tudo bem...
Amor não é amizade...
também é só quase.
(Rodrigo Sestrem)
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
O Poeta e a Bailarina
quando vim trouxe comigo
Muitos versos, e te digo:
É melhor do que tu pensa!
É mais benção que doença
essa ânsia de rimar
quando aprendi a amar
entendi o meu ofício
hoje o Amor é o meu vício
impossivel de curar.
Vivo em busca da Poesia
procuro um verso perdido
pelo mundo esquecido,
quase que eu me esquecia!
Mas lembrei, naquele dia
em que o Mar se declarava
para a Lua, que o chamava
e ele, tornado maré
por maior que fosse a fé,
nunca que a Lua alcançava.
Eu me senti esse Mar
buscando a Lua impossível
comportando o incabível
nas palmas do meu olhar.
Vi meu sangue transbordar
em ondas, pisando a areia
caminhei horas e meia
e um Sol cansado rasgou
o céu, e a Lua apagou,
e era um Mar sem Lua cheia.
De repente, ao longe vejo
um vulto descendo a praia
o dia quase desmaia
não suportando o desejo.
Aquilo que eu tanto almejo,
a lição que a vida ensina
o escorrer da areia fina
no caracaxá das horas!
Enxerguei dez mil agoras
nos olhos da tal menina...
Hoje sei que não sou nada
sem a força do meu verso
cada vez mais submerso
nessa existência rimada.
Tantos anos nessa estrada:
Atingi a minha meta
Atirei a minha seta
Já cumpri a minha sina:
Achei minha Bailarina,
E me tornei seu Poeta.
(Rodrigo Sestrem - 2006)
domingo, 1 de novembro de 2009
Antes do Pôr-do-Sol
Alma pintada de verde, me viu
Verdes olhos e um cheiro de flor...
Antes de eu me encontrar, você passou
Passarim bailarino em pleno vôo
Passos leves e o céu coloriu...
Antes do pôr-do-sol, você fugiu
Dando as costas pro mar, e o Sol caiu
Queda livre sem chegar no chão...
Antes de te esquecer, eu disse não
Quis guardar teu sorriso em minha mão
Inquilino em meu peito vazio...
(Rodrigo Sestrem)
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Velho Menino
Olha com cuidado...
Não te parece também?
Ele é um velho menino,
em eterno transitar no tempo...
Vem a barba branca, vai a barba branca...
Vem velho, volta menino...
Que sais que nada!
O Azul é do olho dele...
O Verde também...
Há de se pedir licença
pra brincar no seu rosto velho!
Velho bondoso, menino cruel...
Há de se amar de longe,
quando ele tá zangado!
Velho incansável, menino dengoso...
Há de se olhar nos olhos,
ao mergulhar na íris salgada!
Velho sábio, menino curioso...
Há de se sentir saudade
do colo de avô que conta histórias!
Velho pescador, menino mentiroso...
Há de se temer sem medo
a força calma que corre em suas veias!
Velho forte, menino brincalhão...
Há de se saber que é berço,
nascedouro imenso de qualquer poema!
Velho poeta, menino apaixonado...
É tão velho quanto o Tempo, esse menino Mar...
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 25 de outubro de 2009
Tulevisão de Matuto
num sô mal-agradecido...
Mas preciso devolvê
o presente recebido
que só causô confusão!
Essa tal Tulevisão!
Eita, caixote enxerido!!
Meus minino, coitadinho,
já nem come mais marmita...
só querem Eme Cê Donáud
a mãe deles fica aflita!
É Maqui Xique! Maqui Fichi!
É Maqui o diacho todo! Vixe!
Mais que coisa esquisita!
Tem um tal de video gâmi...
um que tem uns plei no nome,
que deixa os minino doido!
Só param quando a luz some!
Tem uns bicho dos inferno,
uns barulho tão muderno,
de dá medo em lobisômi!
Inté mermo minha mulé,
sempre tão trabalhadeira,
quis quebrá o pau comigo
por causa de uma besteira!
Porque viu, numa manhã,
um tal Jorge Foremã
vendendo uma frigideira!
A minha filha mais velha,
o sinhô veja se isso pode!
Disse que qué viajá!
Quando eu nego, se sacode!
Qué ir pros Rio de Janeiro!
Diz que vai ganhá dinheiro
com um tal de Bigui Bródi!
Minha sogra, na cozinha...
cada dia inventa um prato!
Só num faz tripa de bode,
num faz bucho, nem faz fato!
Só comida da istrangêra...
de uma lôra faladeira
e de um papagaio chato!
Um dia eu pensei comigo:
pra que toda essa agonia
só por causa de um caixote
que só mostra fantasia...
Resolvi sentá um pouco,
mermo achando que era louco!
Mas pra vê se eu entendia...
E o que eu vi me fez tremê!
Seu dotô, eu nem te conto!
Foi tanta barbaridade
que eu quase que fico tonto!
E ói que eu sô macho que só!
Nunca dei ponto sem nó,
e nem nó fora do ponto!
Vi uns hômi bem vestido,
remexendo as duas mão,
dizendo que era pastor...
Mas eu num vi as cabra não!
Apontavam lá pra cruz,
se diziam de Jesus,
mas só falavam no Cão!
Vi umas moça bunita,
andando tudo em rebanho...
Umas cos peito de fora,
e eu achando aquilo estranho.
Diz que é um tal de TopiLessi
Vai vê é por isso que cresce!
Tinha uns desse tamanho!!
Ouvi umas musga esquisita,
acho que chamava Roqui...
Diferente das cantiga
que a mulé gosta que eu toque...
Aqui o som nasce da terra!
Lá, parece até uma guerra,
cantando e levando choque!
Vi um gordo gozadô,
com as barba esbranquiçada
que só fazia cantá,
perguntá e contá piada...
Tinha uns copo de azulejo...
Mas quando mandô o beijo,
eu desliguei a danada!
Pensei: Onde já se viu?
Não existe mais respeito!
Cabra macho que nem eu
ganhá beijo de um sujeito!
Resolvi: vô devolvê!
Tentaram me convencê,
mas eu disse: Não tem jeito!
E tá aqui ela de volta...
não serviu pra gente não.
Nós não fica chateado,
que o que vale é a intunção!
Mas leve e não traga mais!
Que nós qué vivê em paz,
longe da Tulevisão!
(Rodrigo Sestrem, sobre tema proposto por Emílio Dantas)
domingo, 18 de outubro de 2009
Onde tudo tem e tudo falta
Acode, santo qualquer!
Me mostra por onde ir,
Acode que eu vou partir...
Contam que o Amor, já descontente
quis fugir pra longe da cidade...
E assim nasceu, linda e cadente,
uma estrela chamada Saudade.
Pois enquanto aí a noite é alta
aqui ela é cinza e toca o chão...
É onde tudo tem e tudo falta,
e o que mais me falta é o teu portão.
(Léo Pinheiro / Renato Luciano / Rodrigo Sestrem)
sábado, 10 de outubro de 2009
Aos amigos de lá
Sei que fui eu que vim embora,
mas não me esqueçam!
Vim porque precisava...
Vim porque amava, só por isso...
Amor passa, tempo passa,
saudade fica...
saudade fica...
Eu também fico... volto mais não...
Amigos!
Sei que fui eu que vim pra longe,
mas não me esqueçam!
Era que nem voar,
pular do trampolim,
vestir o vento e a água,
sonhar um sonho além...
Sonho passa, tempo passa,
saudade fica...
saudade fica...
Eu também fico... volto mais não...
Amigos!
Sei que fui eu que virei as costas,
mas não me esqueçam!
No próximo luau,
cantem algo pra mim!
Cantem algo por mim!
No violão de Gil,
pintado sem rumo
no espaço... também passo...
saudade fica...
saudade fica...
Eu também...
e vocês, comigo...
(Rodrigo Sestrem)
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Metamorfose Ar
sopra e avisa o vento
que a qualquer momento
ele tem de respirar...
Vento,
corre e diz pro mundo
que a cada segundo
o tempo vai mudar...
Tempo,
muda de repente,
desce e passa rente,
num rasante, toca o chão...
Brisa
vira tempestade
vento de verdade
é sempre furacão...
Gira o mundo
e o mundo gira
e a gente respira
vai buscar a inspiração
Mundo gira
e gira a Terra
e a gente berra
querendo voar!
E alça vôo
no céu cinzento
dando as mãos pro vento
cirandando a imensidão...
Tempestade
que assobia
quando raia o dia
é brisa a beira-mar...
Brisa sopra e avisa o
Vento corre e diz pro
Mundo gira e a Tempestade
cansa e vira
Brisa sopra e avisa o
Vento corre e diz pro
Mundo gira e a Tempestade
cansa e vira...
Brisa...
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 20 de setembro de 2009
Marco Zero

Vê bem, menina...
Não que eu queira convencer de nada,
nem de nada vale o velho sonho...
Sonho velho mofa e desbota,
isso quando não acorda babando e
dizendo palavrões...
Apenas busco o Marco Zero,
apenas quero a marca d'áqua
que me afogue as marcas
que não cicatrizam...
Vê bem, menina...
Não quero o beijo nem o olho claro,
nem desejo o gosto doce que ainda sinto...
Sinto apenas que ainda falta
um sorriso sem pressa nem vontades,
sobrando alguns perdões...
Apenas busco o Marco Zero,
apenas quero a marca d'água
que me banhe os olhos
que ainda não secaram...
Vê bem, menina...
Não quero aquela bailarina de rua,
Nem Ana Lua, ou as tais russas que choram...
Choro apenas um segundo,
no seguinte sou brincante maltrapilho,
mudo e olhando você...
Apenas busco o Marco Zero,
apenas quero a marca d'água
que me lave o tempo
que ainda não parou...
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 13 de setembro de 2009
Ciranda Gigante
lembrar valentia,
se a minha poesia
ficou com você?
Pra quem
importa se um dia
a estrada em que eu ia
partiu de você?
Eu vi
ciranda gigante
diante da praça
em frente ao jardim
E eu,
sozinho, pedia
que a sua folia
dançasse pra mim...
É que eu espero
que qualquer dia
minha poesia seja parte de você...
E ainda quero
que a tal valentia
se entregue à folia
mesmo sem saber por quê...
Pra quê
importa se um dia
a estrada em que eu ia
ficou com você?
Pra quem
lembrar valentia:
a minha poesia
partiu de você.
Eu vi!
Sozinho, eu pedia
a sua folia
em frente ao jardim.
E eu,
Ciranda Gigante,
diante da praça
dançava pra mim...
É que eu espero
que qualquer dia
minha poesia seja parte de você...
E ainda quero
que a tal valentia
se entregue à folia
mesmo sem saber por quê...
(Renato Luciano / Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Vestiário
Só um jogo?
Sério?
Juro que não sabia...
E eu pensando que era simples,
natural, respiração...
Não! Era cálculo,
era estratégia, era ensaiado!
Como é que se brinca assim?
Sinceramente, não sei...
Não gosto de Darwin!
Ainda não te entendi,
não saquei a tua!
Parece uma rua deserta com sinal vermelho,
e ninguém passa porque não...
mas pra apostar corrida,
vale até no verde!
Quais palavras foram ditas sem palavras?
Em que frases não existem entrelinhas?
Abaixo os subtextos!
Gosto das conversas das crianças!
"Tô com fome!"
"Você é feio!"
"Deixa a luz acesa?"
De que vale a inteligência
quando ultrapassa o peito?
Feitiço contra o feiticeiro,
burrice travestida,
amor no canto de castigo...
A vida é o solo de sax na música do Gil...
Assim, não ouço o apito do juiz...
(Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Depois cadê?
Cadê a calma que devia bater no peito,
no lugar desse coração que não te esquece?
Te prepara que tô a caminho!
Se a paz não veio, vou buscar!
Se a calma não chegou, eu trago!
Cadê o dengo que me viciou?
Cadê o suspiro que me fez maior,
pensando ser bem mais que mil encruzilhadas?
Te prepara que tô a caminho!
Se o dengo sumiu, eu acho!
Se o suspiro secou, eu sopro!
Cadê o "Te Amo" que só ouvi depois?
Cadê o depois, que acabou tão cedo,
e que levou consigo as juras tão fatais?
Te prepara que tô a caminho!
Se o "Te amo" tá mudo, escrevo!
Se o depois já passou, vou antes!
Cadê você, que nunca mais me amou?
Nem menos...
Tô chegando!
(Rodrigo Sestrem)
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Cinco mil e dois
Cinco mil cabeças
Cinco mil invejas
Cinco mil vizinhos reclamavam da música que tocava dentro da gente
E quanto mais reclamavam
Mais a gente dançava
A valsa do peito da gente
E quanto mais a gente dançava
Mais se comentava
Da violeta alma da gente
E nessa dança egoísta
As nossas almas riam
As almas gêmeas da gente
E a vizinhança desejava
Que se futucasse
pois havia de ter algo escuro
Bem lá no fundo da gente
E quanto mais escurecia,
mais se cegava
do sol que ardia nos olhos da gente...
e dessa praia inventada
os beijos eram a areia
virando castelos pra gente...
e quanto mais a gente morava,
mais vizinhos reclamavam
da música de dentro da gente
E a vizinhança desejava
só que se calasse
pois havia de ter algo puro
que não viesse da gente...
E quanto mais eles esperavam,
mais a gente ria...
e ria...
e ria...
Cinco mil risos se juntariam ao nosso...
(Renato Luciano / Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Velho Mago Violeiro
e a voz antiga e grave me ninando o sono...
As serestas que me trilharam a infância,
e agora, à distância,
parecem a única vida que tive...
Vinicius, Noéis, Adonirans,
Chicos, Robertos...
E a mesma voz guiando todos
pelo peito novo,
de um jeito novo que hoje é
casaco rasgado e de estimação...
Ainda vejo o violão marcado
pelos dentes crescendo e coçando...
e o bebê careca e gordo
nas cordas bambas do pinho velho,
treinando o número que um dia faria...
E o velho mágico, ainda jovem,
pedindo silêncio, porque eu dormia,
tentando ver com quem eu parecia...
e eu era eu só...
Ainda toco o violão quebrado,
presente que ele mesmo consertou...
uma viagem da qual me foi guia...
bachianinhas arranjadas e assinadas.
E a saudade vibra em cada corda,
em cada acorde de nona que soa da mão...
da mão que herdei do mágico,
do velho mágico...
Hoje sei que sou seu maior truque...
Um dos dois maiores...
(Rodrigo Sestrem)
Bobeia não, Bonitinha!
E lambo de novo!
Bobeia não! Bobeia não!
Quem que mandou cair do ombro pro colo?
Quem te ensinou a ter um sono tão doce?
Qual era o sonho, menina?
O que te fez abrir os lábios pequenos,
pedindo atenção?
Queria tanto que você me visse
te vendo dormir...
Bobo, babão, inteiro...
Mas não quis te acordar pra isso...
Sabe o que é, Bonitinha?
O Tempo passa feito estrada à noite,
balançando o colo que te nina e acalma...
Passa e chega...
Passa e vai...
E aí, eu lambo mesmo!
Bobeia pra ver!
Se eu te acordei, não me desculpa não!
Foi sem querer, mas, mesmo assim, eu quis!
Pois vai que amanhece antes da hora?
Vai que eu cochilo e perco o despertar?
Quero te ver dormir, Bonitinha,
só pra te ver abrir os olhos, sem pressa,
e saber que eu tava ali, por perto,
olhando...
Mas se demorar...
Bobeia não,
que eu lambo!!!
(Renato Luciano / Rodrigo Sestrem)
sábado, 25 de julho de 2009
Soneto pra bronzear a humanidade
com seu rosto de velho herói de guerra,
marinheiro que nunca viu a terra,
criatura que espelha a divindade.
Fui levado sem paz pela loucura
de tentar pôr o foco em igualdade,
como fosse um rascunho sem rasura,
feito pintar de verde essa cidade.
E assim eu provei a minha idéia,
e ainda trouxe, de brinde, a solução.
Fiz dessa confusão coisa pequena:
Sempre há preferência na alcatéia,
e pra se amar toda essa multidão,
basta focar, tranquilo, uma morena.
(Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 23 de julho de 2009
PoeTio
essa vida que me agride, doce,
e que me faz pensar tanto
e tanto, e sem adiantar,
essa mesma vida me faz rir...
O que importam amores de mão única,
invejas disfarçadas,
jogos de relacionamentos,
canções de amor feitas com olhos secos?
Nada mais importa...
Essa mesma vida que me mostra, vazia,
em plena rua calma da cidade
um homem com fome
(enquanto discuto figuras de linguagem)
e me prova que morrer de fome
já não é metáfora,
e que miséria não é pleonasmo
e que é eufemismo sorrir,
essa mesma vida me mostra
que há jeito...
Afinal,
de que vale sentir saudade
e chorar por isso?
Ou amar e achar que é pouco?
Ou assobiar melodias pela rua,
e nem perceber que só falta voar?
O que importa, no final,
é que meu irmão vai ser pai...
Ainda tem jeito...
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 18 de julho de 2009
Dialogando
em versos irmãos de outras jornadas...
(Maviael Melo)
jornais são nada perto dessa história,
que na memória de mil universos
causa reversos, danos, tilts, panes...
e não te enganes quanto ao que eu digo!
o nome "Amigo" é bem maior que Deus
pois se são meus o sonho, o amor e a fé,
então quem é o dono desse mundo?
Deus é, no fundo, Amigo, além de Pai,
e se distrai criando versos santos...
(Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Amiga da Sorte
amiga íntima da Sorte, quase irmã,
cultivam desde a infância uma amizade sã
de trocas justas e aventuras por um triz.
E pra fazer aquilo que ela sempre quis
trazia sempre a Sorte junto pela mão
e a Sorte, esperta, nunca que dizia não
porque sabia que a menina era um anjo
dizia: "pode me pedir que eu me arranjo"
e iam assim, plantando a vida, grão a grão.
Hoje, crescida, essa menina ainda acredita
que a Sorte continua ali, sempre ao seu lado,
mesmo escondida, ainda faz algum agrado
quando percebe que a necessidade grita.
Quando acontece qualquer coisa esquisita,
e a menina põe a vida à sua vontade,
a Sorte ri, pois acredita de verdade,
que só assim, inocente, o mundo ainda tem graça,
e assim promove o encontro deles numa praça
pra dar descanso de uma noite pra saudade.
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 12 de julho de 2009
Chocolate ou Tangerina?
Só não entendo!
Como é que você faz pra resistir?
Como é que se organiza o beijo?
Como é que se comporta o desejo?
Acho até que te invejo...
Também queria ainda saber do mundo...
mas no exato segundo em que esse tal mundo vem,
você arrebata meu peito com tua saudade teleguiada,
e aí começo a te orbitar...
e aí a gravidade com que me olhas sedenta
quase me faz cometa apressado em cumprir destino...
e eu cometo a loucura, prometo!
Mas vai que só resistes
porque ainda não tem peso?
Vai que o espaço ao meu redor
ainda tá reto, direto, chato...
aí, você nem tem culpa, confesso...
mas nem mérito também!! Arrá!!!!
Afinal, que dificuldade há em se resistir a um chocolate
quando se prefere mesmo uma tangerina?
Aí é fácil!
Meu problema é que sou baiano,
e cê tem gosto de acarajé...
com vatapá, menina...
do Rio Vermelho, Morena...
feito na hora...
e quente...
Qual tua comida predileta?
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 11 de julho de 2009
Vamos Brincar (Ludmila Sestrem)
vamos brincar?
sem regras, medos, razão...
correr, agir, cantar...
pra tudo, pro nada, pra o mundo que atua junto,
às vezes um sorriso falso dói mais do que lágrimas sinceras...
vamos brincar de sentir?
vamos sair por aí gritando nossa felicidade, o passar dos anos,
a saudade tão presente, o futuro alterado.
vamos brincar de sorrir...
palavras clichês, papel amarelado, a tinta da caneta acabou...
como tornar mais real isso que não me deixa em paz?
a beira da insensatez traz mais inspiração do que mil sorrisos
e a lua sorridente contrasta sua beleza com meus olhos já sem cor.
vamos brincar de criar?
vamos sair por aí desenhando esquinas e ruas que nos encontrem,
ou podemos desenhá-las no nosso olhar...
vamos brincar de destino...
vamos gargalhar a simples razão de existir,
mesmo que a razão não bata na porta há tempos,
tempo que passa, que aguarda, que envelhece junto com a gente.
vamos brincar de fugir?
esquecer o mundo, ou trazê-lo junto se preferir,
deixa aquela música tocar, ela acalma a alma...
está tudo completo,
vamos brincar de amar?
cinzeiro cheio, copos vazios...
meu coração ainda está aqui,
minhas promessas, todas as palavras lindas que tenho pra dizer.
guardadas para que? para quem?
brincar de que?
sua vez de escolher... de falar...
às vezes cansa brincar sozinho...
vamos brincar de solidão?
mas quando palavras não bastam,
o amanhecer só traz apenas mais horas para tentar manter os olhos secos,
torcendo para a lua trazer um sonho bom,
quando fantasias não saem mais do papel
e suas mãos secam sozinhas a sua face,
é hora de brincar de viver.
(Ludmila Sestrem)
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Verso livre
Vamos arriscar tudo!
Nada de calma, nada de morno,
Bom dia! Buon giorno! Good morning!
Adorne e enfeite teu dia, Morena,
que a cena é nova e já foi ensaiada!
De que vale o medo
se não for desafiado?
Viva o medo!
Viva o frio na barriga!
Também tenho medo, mas eu rio dele!
Olho pra ele e digo: pode vir,
que é você mesmo que eu tô esperando!
E ele ri de volta, sabendo que estamos juntos!
Ele também tem medo de mim, pois me sabe poeta!
Vamos correr riscos!
Vamos riscar regras!
Duas semanas, uma semana, meia semana, um sétimo de semana!
Se emana essa vontade, por que fugir?
Sem monocromatizar a vida, Peixinho! Nada de preto no branco!
Viva o verde e o vermelho!
Viva a cor morena!
Salve os quartos pequenos,
as caixas que falham,
as fugas mais cedo!
Salve a saudade assumida,
as bocas famintas,
os corpos molhados!
Vamos saudar o perigo!
Quando a vida passar, curiosa, perguntando como foi,
a gente pode responder sem medo,
pois ele já foi gasto lá atrás...
Vamos sentir mais do que devíamos!
Viva o exagero!
Viva a Poesia!
Isso que é liberdade...
(Rodrigo Sestrem)
terça-feira, 7 de julho de 2009
Senão não brinco!
que nem bicho buscando refúgio contra o frio
que nem rio que não vive sem o sal
que nem noite que amanhece sem querer...
Sou teu porque senão não brinco!
Faço birra, faço bico,
esperneio...
Não escrevo mais!
Nem leio!
Faço greve,
e de quem me deve, cobro o dobro!
E pago só a metade!
Eu fecho ruas, inundo casas,
invado mentes,
viro enchente de versos de chuva,
pois um dia sem teu beijo
são dois dilúvios e um quinto...
E a minha Arca sumiu!!
Ah, menina!
Olha a marca do teu corpo em meus olhos!
Tatuagem em minhas retinas, é o que és...
E esses espinhos nos meus pés,
que não me deixam parar!
Te quero, minha linda,
que nem caminhos querem pés descalços...
que os espinhos caem a cada passo...
a cada verso que faço pra você...
(Rodrigo Sestrem)
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Berço de Dendê
e a Bahia dança em meu peito longe,
é pra eu estar mais perto
das ladeiras do Pelô...
Se o ijexá confunde,
e eu não sou mais um de tantos que lá dormem
é pra eu estar desperto
vendo o amanhecer da ilha...
Se o ijexá domina,
e eu não sinto a sina de sair do berço,
é pra eu seguir crescendo
desmamando do dendê...
Se o ijexá consola,
e a saudade é mola de eterna vontade,
é pra eu estar de volta
mas só pra molhar os pés...
Se o ijexá aquece,
e a vida merece sempre um novo canto,
é pra eu ficar calado
pra ouvir Iemanjá...
Se o ijexá me move
e o olho chove, vira tempestade,
é pra eu sorrir, tranquilo,
com a certeza de chegar...
(Rodrigo Sestrem)
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Casa Rosa
que pede beijos, dengosa...
fazendo beiço,
e eu quase esqueço
da tempestade que inunda ao redor...
A vida é linda porque existe uma Morena
que gosta dos cabelos
doidos, desgrenhados...
e eu quase esqueço
que não é só coração que dá nó..
A vida é linda porque existe essa Morena
que ama o mar, no fundo,
e vem das ondas, sereia antiga,
amante amiga,
e eu quase esqueço
que é tudo o mesmo amor...
A vida é linda porque existe uma Morena
que morde o beijo, e sopra,
me vem faminta,
e eu quase esqueço
que é na multidão que estou só...
A vida é linda porque existe uma Morena
que sopra o pife, e beija,
e que me olha assim...
e eu quase esqueço
que só por isso eu vim...
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 28 de junho de 2009
Me dá frio na barriga, Morena
ao lembrar do calor do teu beijo...
por pensar que essa vida é cortejo
e eu não quero chegar só no fim!
Saiba que eu sempre te olhei assim
e não vou mais fingir que não vejo!
Se ao pensar em você eu fraquejo,
é porque você me faz mais forte!
Se eu te olhar assim, não se importe,
é o Poeta enxergando a Poesia.
E a saudade que serve de guia
é avalanche de neve, só cresce,
mas que, em vez de ser fria, aquece,
pois me lembra que a vida é bonita!
Com teu cheiro, meu peito se agita
e procura o teu peito em dueto,
teu sorriso virou amuleto
os teus olhos, a porta de casa,
o teu beijo é voar sem ter asas,
me dá frio na barriga, Morena!
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 27 de junho de 2009
Pequenambucana (2004)
Nos teus olhos há Cirandas
A banda toca na esperança de te ver
Como eu que, ao te ver, me vi sorrindo,
seguindo a roda de mãos dadas com você...
E essa saudade de um lugar que nem conheço
é o começo de um amor que eu descobri
nuns olhos verdes, ao som doce de Cirandas
nós na varanda ouvindo os versos que escrevi...
Pequena,
Olhos de Maracatu
Nação de festa, vira o baque do tambor
Alfaias em meu peito falam alto
eu salto, danço, busco louco o teu amor...
E essa saudade de um lugar que nem conheço
é o começo de um amor que eu encontrei
nuns olhos verdes, ao som de um Maracatu
dois corpos nus, dois loucos, nós, foras-da-lei...
Pequena,
Vejo o Frevo nos teus olhos
Belas sombrinhas lhe protegem o coração
Russos-capoeiras vêm dançando,
e eu, liderando, lhe dedico esta canção...
E essa saudade de um lugar que nem conheço
é o começo de um amor que apareceu
nuns olhos verdes ao som veloz de um belo Frevo
agora escrevo só pra provar que já sou teu...
(Rodrigo Sestrem)
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Culpa Santa
segue em frente que não tem mais férias!
As coisas sérias chegam a galope,
e a veia entope com sonhos guardados...
Se tens os dados em teu bolso, joga
está em voga o tempo dos sem medo!
Não é segredo que o mundo cansou
e que já se queixou
com Deus, e tá parando...
Poeta,
vai tua vida, e vai tua vida agora!
A voz lá fora é a mesma que calou
e que estourou a bomba da poesia
causando o dia na tal noite escura...
A tua loucura é simples, é tranquila
estás na fila do banco dos réus
que sonham céus clamando a culpa santa
de quem levanta
e começa a rimar...
(Rodrigo Sestrem)
segunda-feira, 22 de junho de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
McVida
saladas só com palavras seletas
mas ninguém nem olha nem compra nada
foi cortada a poesia das dietas!
E o amor, a cozinha dos poetas,
virou especialista em Fast Food!
E quem acha que é carne, só se ilude,
mais parece um cd com gosto e mole
e como tem gente que só engole!
Ainda vão se engasgar com tanto grude!
(Rodrigo Sestrem)
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O Novo de novo
De versos serenos, alegres, brincantes
E antes que acorde no mote de antes
Noutras variantes procuro um refrão
Que acorde um acorde do meu violão
Num acordo sonoro doutra melodia
Rabisco no espaço mais uma poesia
Vou metrificando, meus versos no espaço
Em rimas de sons cantando o compasso
Joguei a bandeja noutra cantoria
Abri a palavra e segui o sentido
Num tom sustenido eu já quero cantar
Aumentando a passada em um novo bailar
Nos braços dos versos que estavam perdidos
Eu ando a procuro de um canto pedido
Um mote qualquer que mude a batida
A carta na manga, que vira a partida
O timbre perfeito da nova canção
O sopro que afina os tons do salão
Gerando bailados felizes da vida
E o novo, de novo, me chega do nada
e eu admito: ele me viu primeiro!
me chega sorrindo, meio desordeiro,
me olha de lado, com a roupa engomada.
e a carta da manga era dele, a danada,
e o timbre perfeito era o da sua voz,
e o sopro era um leve suspiro de algoz
que o novo, de novo, respira, tranquilo,
e eu, simples poeta, com jeito de grilo,
viro consciência com a garganta em nós.
Eu sigo à procura da canção rebenta
dos serenos versos, brincantes também
pois toda poesia é sempre neném
que baba e cochila, que cai e que tenta!
E o bebê de versos, sou eu quem sustenta
dando de comer rimas amassadas
a cada “outra vez” são fraldas trocadas
e um dia, quem sabe, depois de crescida
minha filha Poesia, e a missão cumprida,
já posso ir embora por outras estradas.
(Maviael Melo / Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Cia Mulungo!!!! 1º Clipe!
Aí está o nosso primeiro Clipe! Cia Mulungo na área!!!
Assistam e divulguem!
COME TOGETHER / PAPAGAIO DO FUTURO (Lennon/McCartney - Alceu Valença)
Arr. Oswaldo Montenegro
(Rodrigo Sestrem)
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Côsa Nossa
E vem rebolando,
sorrindo sem dentes,
com pêlos caindo,
pedindo um pedaço...
Só uma Côsa faz meu pai chorar...
E manda na casa,
escolhe o almoço,
controla a dormida,
engasga o latido...
Só uma Côsa faz meu pai chorar...
E não desce escada,
não deita de costas,
acorda assustada,
não come banana...
Só uma Côsa faz meu pai chorar...
E não sobe escada,
tem barriga rosa,
e o olho igualzinho
ao do Gato de Botas...
Só uma Côsa faz meu pai chorar...
E foi testemunha
do primeiro beijo
e viu a família
ir e vir e ir e vir...
Só uma Côsa faz meu pai chorar...
E Bula também...
E Fontedajuventunzuns também...
E Nati também...
Afinal, não é qualquer Côsa...
Eu choro também...
Corre atrás do cobertor gigante, Côsa...
Arrá!
Arrá!
Arrá!
(Rodrigo Sestrem)
Circo-Lar
Quero ser Quirino, e amar Maria!
Quero pintar o rosto de tinta barata,
me vestir colorido com roupa rasgada,
me despir das vergonhas trazidas com o tempo!
Quero desaprender canções, cantar paixões,
regar sorrisos, chorar azuis!
Quero dançar ridículo,
e balançar os braços,
como que tentando afastar más idéias...
Quero olhar o espelho
e ver a cara qual papel em branco,
desenhado de cores livres
que nem rabisco de criança distraída...
Quero ser Palhaço!
Tocar realejo sem ter manivela
Sorrir sem por quê, mesmo com olhos tristes...
Ser ladrão de mulher,
sair dentro da lei, bobo que é rei,
que conduz sua corte
sem cetro ou espada, só risos...
Quero amar alguém
como quem só ama porque senão chora
Amar sem por quê, mesmo com peito em prova...
Quero o rosto contente
em ser rosto com tinta, contanto que limpo...
E limpar o picadeiro já velho
do mundo mais velho que é tão circular...
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 7 de junho de 2009
Semana ideal
pediria primeiro sete sextas-feiras na semana...
segundas, terças, quartas e quintas seriam sextas,
e sábados e domingos seriam, finalmente, sextas também...
em segundo lugar,
faria com que o relógio ficasse preso
entre meio dia e três da tarde...
às três e um, seria meio dia...
em terceiro,
que ela só tivesse prova às segundas...
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 6 de junho de 2009
Pensando em Si
Logo agora que te encontrei,
vai embora?
Não!
Não deixo!
Nem venha ficar fria,
não ligar,
fazer pesquisas científicas com meu peito...
Nem venha ter medo do afeto,
que só quem afeta a fé tá vivendo...
Vai brincar com o piano, sem medo!
Cria tua aquarela de notas,
são doze tons, sejam sons, sejam cores...
são tantos dons, sejam bons, sejam dores...
Deixa de ser boba!
Essa história de fugir não serve!
Água sem ligar fogão não ferve!
Não dá pra viver só de dia...
nem dá pra ser noite pra sempre...
É o ciclo que vale,
e o que vale é rodar!
A onda não vem e vem...
nem volta e só volta e pronto...
de que serve só entrar,
se não sair pra entrar de novo?
Nem venha pensar em ficar de fora!
Fecha o olho e toca!
Sai da toca e ama!
Amanhã me conta...
(Rodrigo Sestrem)
Olhos por engano
e não me reconheci...
Sai buscando minha máscara perdida,
minha cara cara cara,
que ficou pelo caminho...
E sai sem rosto, sem olhos,
vendo apenas preto e branco,
tendo vultos como guias
sendo envolto pelos dias
como se correr não fosse normal...
Ah, e o cansaço me consumiu os sonhos...
Palavras, eu tomei emprestadas!
As minhas também não sabia onde estavam!
Não que o caminho fosse longo...
afinal, andei em círculos!
Mas o chão era movediço,
lamacento, denso...
Penso que se a máscara tivesse afundado,
algum dia alguém havia de achar...
Seria tarde pra devolver?
Seria tarde pra resolver mudar?
Olhei no espelho,
e lá estava eu de novo...
Oxe! Mas o que aconteceu?
A máscara voltou sozinha, de algum jeito...
ou será que eu tava usando os olhos errados?
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 31 de maio de 2009
Anzol e Caniço
querendo encontrar a metade do verso
que rege a harmonia do louco universo
que esconde a noite e amostra o dia
eu conto a saudade daquela alegria
que outrora fazia meu verso sonhar
buscando outra rima eu vou sem parar
trilhando as estradas no rumo da vida
já contei o tempo, dei nova partida
seguindo o desejo sereno de amar.
E o tempo contado nas mãos e nos pés
é como se fosse o barro da estrada
migalhas de sonhos que surgem do nada
são âncoras postas em pleno convés.
Não vale o espelho se sabes quem és
e a rima é que nem canivete suíço:
tem tudo e tem mais, e sem compromisso,
recorda e arruma as estrofes do mundo
Se o fim do caminho é algum mar profundo
é bom ter levado um anzol e um caniço.
(Maviael Melo e Rodrigo Sestrem)
sábado, 30 de maio de 2009
Antes do Amanhecer
prometa me chegar de repente!
Vem sem eu perceber, vem felina..
Vem no momento em que o amor
estiver dormindo,
e toma o lugar dele!
Mas vem antes do amanhecer!
Amor de minha vida,
prometa me chegar sorrindo!
Mas um sorriso simples,
sem som, sem brilho...
um sorriso que é sorriso porque sim,
e pronto...
Mas vem antes do amanhecer!
Amor de minha vida,
prometa não me dizer nada!
Vem sem voz, sem texto,
vem com beijo e pronto!
Sem palavras, sem resumo,
que nem versos são bem-vindos!
Mas vem antes do amanhecer!
Amor de minha vida,
prometa não trazer relógio!
Vem sem hora, sem minuto
vem eterna, ainda que acabe,
que acabar não é pra agora
é só você não dar corda...
Mas vem antes do amanhecer!
Amor de minha vida,
prometa não fazer promessas!
Vem sem sonhos, vem sem planos,
Vem na ponte de um olhar,
dorme ainda que desperta
que eu te nino e te consolo...
Mas vem antes do amanhecer!
Amor de minha vida,
prometa vir antes do amanhecer,
que a noite é nossa garantia,
que a lua é nosso sacerdote,
que o sereno é nossa água benta,
que as estrelas são nossas testemunhas.
Amanhecer é uma lenda antiga...
Acredita não!
Eu prometo...
(Rodrigo Sestrem)
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Passa Tempo
Pra que pressa?
Pra que passa?
Fica quieto!
Curte o tempo!
Deixa de agonia, rapaz!
Tem tempo de sobra pra passar depois,
curte um pouco!
Já parou pra ver um pôr-do-sol, Tempo?
Que nada!
Só fica lá, apressando o coitado,
dizendo que tem estrela na fila,
e estrela não espera!
Tem tratamento especial!
Já parou pra ouvir o mar?
Que nada!
Só fica lá preparando o terreno
pra próxima onda,
contando quantos grãos
de areia surgem a cada onda...
Já parou pra ler poesia, Tempo?
Que nada!
Fica só contando os segundos
pra saber quanto falta
pro poeta morrer...
Pois já era, Tempo!
Perdeu!
Toma vergonha e pára um pouco!
Aproveita a vida, pois até teu tempo passa, Tempo!
Esquece essa agonia, e desiste...
Poeta não morre.
(Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Zabumba de Louco
Céu branco explode
alguém me acode
que o raio
já vem me pegar!
Trovejou!
Quem toca o pipoco
zabumba de louco
povo lá
do céu quer sambar!
Vai chover!
Suor que escorre
É São Pedro que corre
Atrás de
algum anjo fujão!
Tem que ver
o clarão bonito
seguido de um grito
que avisa
que o prêmio é o chão.
E cai corisco
e é o céu ficando arisco
eu não saio, eu não arrisco
eu nem pisco
que é pra não sumir!
Quando o céu grita
é o povo que agita
alguma festa esquisita
e acredita
que o céu vai cair...
Vai queimar!
Tempestade é jogo
Quando toca é fogo
e quer
carburar até o fim!
Vai parar!
A festa termina
a lua ilumina
e parece
que olha pra mim...
(Rodrigo Sestrem - Musicada por Maviael Melo)
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Sítio do Tio Eurico
Opa! Tem alguém aí dentro?
Tem sim, que eu ouvi!
Lud, chama alguém pra abrir o portão!
Eles devem estar na piscina, por isso não ouvem.
Hein?
Como assim? Não abre mais?
Lembra do ovo frito no café da manhã?
Lembra, Lud?
Piscina, só daqui a uma hora!
Morcegos nas mãos, bastão no ar...
Sábado tem baba!!!!
Vamos jogar um buraquinho?
Bati! Quem dá o morto?
Pai, a partir de hoje eu sou tricolor!
E tinha um lobisomem em Londres!!
Lembra quando não dava pé?
Lembra, Lud?
Agora é minha vez de voar na rede!
Não, é minha!
Eu achava que era um pneu, mãe!
Eu pulei, e não era!
É só uma minhoquinha, Otoni!
Olha, filho, de onde sai o veneno, tá vendo?
Lud, você não lembra porque tava dormindo.
Calma, Bete!
Eu juro que o mergulho durou horas!
Tio, posso pegar a bola?
Eita, seu cabelo ficou verde, Dodô!
Kika não quer dormir comigo, Tia!
Ela morde?
Pai, vem brincar comigo?
Calma, Bete!
Quero dormir no quarto do meio!
Tenho medo de ir sozinho! Deve ter sapo!
Posso fazer represa?
O Arraiá é um lugar...
Lud, pede pra abrir o portão!
Não entendo...
Cadê o sítio que tava aqui?
"Deve ter subido junto, Guido..."
(Rodrigo Sestrem)
terça-feira, 26 de maio de 2009
Dexter's Tune
Esse piano que insiste...
que há mais de dez anos insiste...
mistério que invade esse peito que invade mistérios,
e, nunca desvendado, diz "vem dar uma olhada agora"...
e pronto.
Mistério do piano que persegue
e que consegue me fazer chorar.
"Bastava buscar..."
"bastava tentar..."
Mas busquei!
Mas tentei!
"E por que não achou?"
...
Mistério dos acordes que bastam
melodia mais simples
que a rosa mais simples...
e as notas que insistem
que não mudam apressadas
e bastam...
e invadem...
e me fazem chorar...
É tempo, amigo...
É tempo de despertar.
Não basta pensar que buscou,
apesar de ter buscado...
Não basta dizer que tentou,
apesar de ter tentado...
Não basta mudar uma nota
pra criar a melodia perfeita...
Não basta fingir uma rima
pra que a poesia seja feita...
Esse piano que insiste
em dizer que buscou
mais que eu...
que tentou
mais que eu...
e que me achou...
mais que eu...
(Rodrigo Sestrem)
Azul e Flimba
Engraçado, pois desconfio que ele seja assim há algum tempo...
Perguntei pro meu pai se ele sabia disso,
e ele disse que o ozônio e tal...
Minha mãe falou que no céu
moram anjos de túnicas
azul e branca...
Como ninguém respondia,
fui perguntar a um mendigo amigo meu,
meio poeta,
e ele disse que era o mar refletido...
Mas ele é azuis!! eu dizia...
Alguém já percebeu?
Foi sempre assim?
E os mil azuis iam me tomando...
Era como se só agora o céu me azulasse!
E é tanto azul
que talvez nem sejam todos azuis...
Tenham outro nome desconhecido...
Flimba?
Será que o céu é azul e flimba?
Aí, perguntei pra um bebê
que nasceu meio sem querer
há uns dias...
Entendi.
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 24 de maio de 2009
Belo e Cool
Cada verso é granada, sem pino, sem dono,
estilhaça em palavras, pedaços de sílabas,
grãos duros de letras...
E o poeta é guerreiro, que treina sua pena
qual espadachim sem mestre mosqueteiro.
Se defende das dores, apara seus golpes,
sustenta sua rima, o escudo de tinta
é mais forte que o ar!
E na guerra do mundo que pensa que sonha
com a guerra de um mundo que sonha que é,
é como se o combate fosse mesmo a folha
em branco, e o tranco da bomba, a canção!
Armadura de métrica, canhão de décimas,
tanques de sextilhas, fuzis de redondilhas,
E os alexandrinos lançados pelos aviões
farão estragos nas terras de ábaco!
Lógica! Te cuida!
A tal Poesia tá em pé de guerra!
Faz tempo ela berra pedindo passagem,
seguindo a viagem por matas e túneis,
fazendo guerrilha, cavando trincheiras,
cercando por todos os lados a Razão!
E toda certeza será feita refém!
E vão confessar onde esconderam a Dúvida,
nossa Rainha Mãe!
Ai de quem pensa que a poesia é de paz!
Ai de quem acha que meu verso é de brincadeira!
Estilhaços de estrofes que falam de amor
se espalham depois da explosão das granadas
e se deixam enrustidas nas pernas, nos braços
e assim, todos os detectores vão apitar!
Essa guerra tá ganha...
só falta marcar!
(Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Menina do Vestido Azul
Larga o teu livro e olha pra mim...
Que Sartre que nada!
Os outros são o céu!
Te conto e te provo,
tim tim por tim tim.
Que óculos grandes você tem!
É pra fugir melhor?
Foge comigo, Menina do Vestido Azul!
Vamos pra Paris, se você quiser!
Me dá um beijo se eu escalar a torre?
Então eu escalo,
desmonto de cima pra baixo,
trago nadando o Atlântico
e monto no Brasil!
A gente pode usar de antena!
Vem, Petit Pequena?
Me conta quem és!
Larga o teu livro pra viver direito!
Mas...
quem sou eu pra te cobrar algo?
Deixei você partir
sem te mostrar teu poema...
Deixa a torre no lugar...
Deixa o Atlântico intocado...
Deixa o beijo pra outro qualquer...
Deixa o poeta aprender na marra...
De que vale ser poeta de papel?
Trocava tudo por teu beijo, Mademoiselle...
(Rodrigo Sestrem)
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Moça da Janela
Mãe com alma de madrasta
Mar vomitando lixo
Terra chicoteada
Gente gritando acode
Outros gritando espera
e a moça na janela
querendo me ouvir cantar...
E o verso que eu canto é choro
É inverso ao mundo inteiro
É o erro vindo ligeiro
tentar um solo no côro.
Ser pai já não é divino
O sangue secou sem cor
Não dá pra tirar nem pôr
nem dá pra tocar o sino.
Da mão que rege o chicote
Do mar já tão nauseado
O Amor já chega estragado
Vem pronto pra dar o bote.
Cansada de tanto grito
Minha moça da janela
Jogou fora seus livros
Rasgou a sua aquarela
E foi vigiar a estrada
Já sem esperar mais nada
Sonhando que eu era dela...
(Renato Luciano - Rodrigo Sestrem)
domingo, 17 de maio de 2009
Verso Roto
quando eu vi você
presa na canção
pude perceber
que teu coração
resolvia agora em meu peito morar...
Ao tocar você
compreendi o amor
ao beijar você
eu beijei a flor
que há tanto tempo em meu peito plantei..."
E Roto, depois de cantar, beijava Bela, a bailarina...
E Lorde partia...
E Bufo resmungava...
E a Bruxa ria...
E um amor começava...
E Roto amou Bela, e só...
Pois Bela já amava outro par, outro ser...
E a tela do mundo em branco, esperando
um desenho,
ficou sem pintura, sem tinta, sem cor...
E Roto amou Bela, e só...
E Bela amou Roto, de um jeito só dela,
sorria, chamava, partia, voltava,
dançava apressada, com passos de atriz...
assim, ser feliz era apenas amar...
ser amado era bônus, um prêmio, um talvez...
E Roto amou Bela, e só...
E a encruzilhada surgiu no caminho...
E Bela seguiu, e Roto seguiu,
e as estradas seguiram distância e adeus...
E Roto ama Bela, e é só...
E Bela, ferida, não lembra a canção.
O peito está bom, curado, batendo
e o peito de Roto é o dono também...
E Roto ama Bela, e é só...
E Bela tá longe, tá lá...
E Roto viveu...
e ainda grita: "Vivi!!!"
E resta a saudade...
verdade...
amizade... cadê?
verdade...
saudade...
saudade...
dade...
dade...
...
(Rodrigo Sestrem)
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Férias Forçadas
Ai, meu Deus, o Homem cansou!
Como pode?
O Homem de aço, o incansável, o alucinado... Cansou!
Cansou de esperar, cansou de dizer, cansou de gritar, cansou de querer?
Sabe lá!
E a Mulher dizia:
Filhos,
eu conheço o Homem!
Cuidado pra ele não cansar!
Eu conheço o Homem!
Cuidado pra ele não cansar!
O descanso assusta, né, gente?
O cansaço é morte, né, povo?
E agora?
Será que o elástico ainda serve?
Será que ainda estica e volta?
Será que só soltou da mão, ou perdeu a elasticidade e ficou frouxo?
Vamos virar bicho, gente!
Vamos virar bicho urgente!
As Férias do Homem são trabalho!
O descanso do Homem é ação!
Mãos à obra!
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 9 de maio de 2009
Solzinho
vem dançar comigo?
Vem dançar um xote,
vem errar os passos,
vem cantar um mote
vem de pés descalços!
Vem que o tempo é bom
e o sol dá o tom
pra criar os laços.
Pequena,
vem tocar comigo?
Pega o teu trompete
eu pego meu pife
o sopro promete
não há melhor grife
Deixa apenas ser
que o sol vai reger
ele tem cacife
Pequena,
vem me conhecer?
Diz do que tu gosta,
e o que te incomoda,
se não presta, encosta,
se não serve, poda.
Pra te ver sorrir
faço o sol cair,
desinvento a roda!
Pequena,
vem beber comigo?
Preparo a tua taça,
compro vinho tinto,
Se quiser que eu faça,
piso a uva e pinto!
Não vai faltar nada
nem água gelada
nem sol no recinto!
Pequena...
Ah, deixa pra lá!
É vem o Sol...
Vem comigo?
(Rodrigo Sestrem)
terça-feira, 5 de maio de 2009
Revolução dos bichos gripados
Nem que a vaca tussa, que num vou deixar!
Pense numa agonia!
Veja bem: num dava apenas pra ser e pronto?
Mas não!
Tem que encher o saco!
Aí, a vaca tosse!
Tenha medo!
Nem que a galinha espirre, que eu num vou pra lá!
Eu hein? Pra quê?
Veja bem: tanta coisa pra fazer, e tem que bagunçar!
"Deixa o mundo quieto, menino"!
Mas não!
Tem que estragar tudo!
Aí, a galinha espirra!
Pois é!
Nem que o porco assoe o nariz, que eu não desisto não!
Oxe! Pra onde?
Veja bem: era tão mais simples, mas a gente tinha que complicar!
"Tem que pagar conta, gente! Por isso aumentou!"
Tsc! Tsc!
Eita, humano besta!
Aí, o porco tá de nariz entupido!
Eita, que é a Revolução dos Bichos chegando!
(Rodrigo Sestrem)
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Águas
que desce da fonte
vem por entre os montes
para nos banhar
uma sede tanta
de um povo que canta
de uma dor que nasce
desce pela face
e deixando mágoas
em tortos caminhos
para se trilhar
para se banhar
se banhar nas águas
águas dos meus olhos
que miraram os olhos
de uma linda flor
que pedia
Água
que nasce no peito
de um moço sem jeito
um poeta a mais
que procura as águas
pra molhar os olhos
pra lavar as mágoas
de uma linda flor
que pede poesia
e ao raiar de um dia
lhe chega o poeta
vem pra lhe banhar
pra molhar os olhos
pra matar a sede
desse seu amor.
(Rodrigo Sestrem - Maviael Melo)
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Presente
Não é suficiente aprender a rimar
e só métrica é pouco, é nada, não há
a estrofe é vazia, a sina é não ser
Pois pra ser poetisa, é preciso ser mar
ter a pele de areia, o olho de sal
ter ondas no cabelo e sorrir carnaval
e com os pés na espuma, dançar e dançar
Pois pra ser poetisa, é preciso ser mais
tem de saber pintar com a tinta do peito
e, de olhos fechados, arranjar o jeito
de acertar o papel e esquecer o que faz
Pois pra ser poetisa, é preciso esquecer
e esquecer é lembrar do futuro que vem
pois se queres poeta, isso você já tem
Pra você ser poetisa, só bastou nascer
Pois já és poetisa, mesmo sem querer
e a rima te segue qual bicho sem dono
e os versos são avós te ninando o sono
te contando as mentiras sutis pra crescer
E assim, segue a tua jornada, e não vê
que o mundo não mais te oferece papel
não preocupa, não liga, não faça escarcéu
que a tua poesia se escreve sozinha
e sorri, não te esquece que a lua era minha
e eu te dei pra teu verso brilhar lá no céu.
(Rodrigo Sestrem)
terça-feira, 28 de abril de 2009
No caminho de volta
Qual o preço pra falta não contar?
Qual o lar sem janela, porta ou tranca?
Quem arranca sem pensar em frear?
E pensar que a menina vai crescer,
E vai ser a menina que cantava...
Que amava a avó que já partiu...
E que viu um poeta que sonhava...
E a estrada, que é cada vez mais curta?
Quem me furta a vontade de chegar?
Quem tá lá do outro lado da chegada?
Que piada ainda me faz gargalhar?
Qual a flor que ainda afeta qualquer peito?
Qual o jeito que garante algum sucesso?
E há acesso proutro sonho na lida?
Uma vida que não me cobre ingresso?
E pensar que a avó era a menina
E já era a avó que ainda brincava...
Já cantou tanta infância e tanta sina,
Já amou um poeta que sonhava...
(Rodrigo Sestrem)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Não bula com Susana, ou Susana Bole!
Não Susana!
Não bula com Susana, ou Susana bole!
Nem ria de Susana, ou vai se arrepender!
Imagem é miragem, é viagem, é nada!
E a voz que te ensurdece vem do feio, irmão!
Nós somos Feios!
Não Susana!
Não bula com Susana, ou Susana bole!
E cada riso, em vez de humilhar, acende!
E ascende aos céus a voz de anjo da mulher
que é linda aos teus ouvidos, e que ri ainda,
e finda ignorando a tua humilhação!
Nós somos Feios e Idiotas!
Não Susana!
E o susto é até presente, é pouco, é quase nada!
O que a gente merece é um soco no olho limpo,
quem sabe uma cegueira vá salvar o mundo?
Nós somos Feios e Idiotas e Cegos!
Não Susana!
Não bula com Susana! Ou Susana bole!
E Susana Ri...
E Susana segue...
E a gente cegue...
E a gente ouça...
Bula com ela não!
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 19 de abril de 2009
Bailar Índia

Vai lá pro meio da mata
Dança o verde e desacata
as verdades mais vigentes
Aproveita e me ensina
a soltar minha gravata,
a despir a minha bata
a sorrir mostrando os dentes.
Baila, Índia Bailarina,
Vai lá onde o Sol cochila
Dança a luz que ainda cintila,
chora a luz que já apagou.
Aproveita e me ensina
que pra viver não tem fila
e que o Sonho é uma vila
onde a Dor nunca morou.
Baila, Índia Bailarina,
Vai lá onde a Lua nasce
Dança a noite e lava a face
com o sereno que cair.
Aproveita e me ensina
que por mais que eu evitasse
que o Amor me alcançasse
não tinha como fugir.
Baila, Índia Bailarina,
Vai lá onde tu quiser!
Dança o mundo e o que vier
que os teus passos são a estrada!
Aproveita e me ensina
que a Verdade é uma mulher
que só ama quando quer,
e que só quer ser amada.
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 18 de abril de 2009
O Tempo não tem Bexiga
Na verdade, acho que nem eu acredito!
Vai saber quem tá certo? E vai saber se isso importa?
Enquanto isso, segue o ponteiro apressado,
fugindo sabe-se lá de que bicho-papão!
Eita troço com energia! Não pára nem pra mijar, esse Tempo!
Às vezes, acho que Ele é que é esse velhinho lá em cima,
olhando pra gente rindo...
Deve até se engasgar de tanto rir!
Vai que quando chove, é ele babando e chorando de gargalhar!?
Eita, Velho sacana esse Tempo!
Mas deve ter lá suas razões... afinal, cheguei aqui agora,
quem sou eu pra entender alguma coisa?
Mas que é bobagem, é...
Queria poder olhar na cara do Velho, e dizer:
"Ei, Velho! Descobri teu segredo! Sei que você fica aí, de olho na gente,
se divertindo! É tudo bobagem!"
"Descobri, Velho! Acho que sei o que você espera da gente!"
E ele, talvez, risse de mim,
mais ainda do que ri de quem não acha que descobriu nada...
Carpe Diem, Carpe Diem, Carpe Diem!
Eita, que latim difícil de cumprir, Velho!
Será que ainda dá tempo?
Acho que só falei bobagem...
(Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Circo de Rerrir
e nos cabelos verdes havia uma flor...
e na roupa folgada, rasgada, às avessas,
um coração pintado de lápis de cor...
Por trás da máscara do palhaço, o rosto de um homem...
E o chicote berrava, caindo no chão,
e a fera urrava, sentindo o ferrão,
e os dentes brilhavam, e rangiam, trovão,
e a vida pendia da palma da mão...
Por trás da bravura do domador, o medo da morte...
E as bolas voavam, buscando algum céu,
e os desenhos no ar formando uma obra-prima
e nas mãos sem parar, cada dedo um pincel,
vão de um lado pro outro, de baixo pra cima
Por trás do equilíbrio do malabarista, o balanço do peito ferido...
E eram cartas trocadas, marcadas, sumidas,
e a moça, cortada ao meio, levita,
e volta, inteira, tendo sete vidas,
e o peito mais lindo é o de quem acredita...
Por trás da ilusão do mágico, a matemática do truque...
E é tudo ilusão, tudo de mentira
ou não, é verdade, só que de outro jeito?
de que vale o circo, se o sonho é desfeito?
pra que põe o riso, se a lágrima o tira?
Mas a verdade é que por trás da realidade do mundo,
tem sempre uma lona de um circo pra nos salvar...
(Rodrigo Sestrem - inspirado pelo cordel "Circo de Desrir", de Soluz Terrarium)
terça-feira, 14 de abril de 2009
Vegetariando
aceitei que o mundo é redondamente enganado
é uma bola que nem bola é, é oval!
é um ovo que vive chocando a gente...
Ainda se houvesse omelete pra todo mundo...
Mas nem!
Cansei!
Agora só como alface, e mesmo assim não adianta.
De que me valeu virar um cágado pensante?
Se ninguém dá bola pra bola que é o mundo,
nem mesmo se a bola tá murchando,
de que adianta só comer alface e couve?
E o que tem a ver isso com aquilo?
Nada... é só que cansei mesmo...
Já sei!
Talvez baste... (e saio correndo pra comer brócolis com um bom azeite extra virgem por cima)
(Rodrigo Sestrem)
domingo, 12 de abril de 2009
Pra Completar
como é que se faz pra completar?
esse lápis sem ponta e sem grafite
serve pra algo além de atrapalhar?
não tem nenhum decalque como guia
não tem nada, só a folha vazia
no espaço em branco sem formato
o papel, rindo alegre, me assusta
eu nem sei bem direito quanto custa
e nem sei se adianta ser barato.
É o espaço que falta no desenho
que me força a escrever sem guia ou rumo
as palavras que brotam sem sentido
se contentam com o jeito que as arrumo
Mas no fundo, elas sabem ser bobagem
pensam só em curtir uma viagem
tão gratuita quanto o mundo que passa
e eu, sonhando em completar a imagem
tiro o sonho de dentro da garagem
sem saber dirigir, eu acho graça.
(R dr o Ses em)
sábado, 11 de abril de 2009
Conselho de Vizinho
Rio, Bahia brotando em Laranjeira!
Tá pra nascer coisa mais brasileira
do que pife, violão e cavaquinho!
Seja côco, baião, samba ou chorinho,
o trânsito tá livre até pro rock!
Pode até duvidar, mas não provoque
quem faz som em canudo de cachaça!
Se ele der um conselho, vá e faça:
"Se beber não dirija não, mas toque!"
(Rodrigo Sestrem, sobre a frase de Carlos Malta, no Show Vizinhos - 02/04/09)
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Côco Miudinho
quem toca com palma de mão
no peito, já planta a semente
dos olhos, já brota a nação
Eu canto côco,
canto côco miudinho
moído lá num moinho
com as pás de minha nação!
Feito das brisas
de uma flauta de taboca
faz gente sair da toca
e arrastar pé nesse chão!
Ouça o que eu digo
Juro, tô falando sério,
desvendo qualquer mistério
e desafio assombração!
Por uma chance
de soltar minha voz no mundo
não paro nenhum segundo,
me alimento da canção!
Eu canto côco,
canto côco firme e forte
sou do sul, mas vim do norte
visto a cor do meu país.
Trago no sangue
suingue lá da Bahia
e misturo na poesia
versos de vários Brasis!
A minha terra
é um país que é continente
de sotaques diferentes
mas de sonhos tão iguais
Sonhos sonhados,
esquecidos, resgatados,
encardidos, perfumados,
impossíveis, mas reais!
Eu canto côco,
baião, galope, xaxado,
com gente boa do lado
eu canto tudo o que quiser!
Sou cantador
do verso pronto e do improviso
e sei do que mais preciso
que é o do amor de uma mulher.
A voz me guia
nas estradas da saudade
pelos becos da verdade
sobre as pontes da ilusão...
Sou andarilho
e improviso cada passo
mas não saio do compasso
levo a rima pela mão!
Eu canto côco,
toco côco e danço côco
pra alegria pouco a pouco
clarear todo o lugar
A Vida passa
com sua pressa costumeira
ouve a nossa brincadeira
e pára um pouco pra dançar.
E a Vida canta
com sua voz jovem e idosa,
jatobá e botão de rosa
donos da mesma raiz
Na terra fértil
de um povo que acredita
que a tal Vida é tão bonita
que ainda dá pra ser feliz!
Quem canta esse côco com a gente
quem toca com palma de mão
no peito, já planta a semente
dos olhos, já brota a nação
(Rodrigo Sestrem)
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Menina do Sorriso Novo
que traz na sombra do sorriso
o riso de criança
e que quando findou sua dança
quis cantar seu hino
e, na urgência de um destino,
decidiu sonhar...
Menina do belo sorriso,
que viu a infância pelos olhos
de quem já cresceu
e mesmo assim, não percebeu
que o tempo tá fugindo
mas ela continua rindo
sem se preocupar...
Menina do sorriso leve,
é passarinho que, ao migrar,
errou de direção
seguiu as linhas de sua mão
e quis subir no mapa
sem medo, deu a cara a tapa
e se sentiu melhor...
Menina do sorriso aberto
se a tua voz ainda te guia,
pode confiar
que a tua estrada tá pra cá,
aqui por esses lados
e o teu rio grande foi trocado
por um Rio maior...
Menina do sorriso lindo,
segue sorrindo teu sorriso
até gargalhar...
Menina do sorriso novo,
pegue teu sonho e sonha rindo
até realizar...
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 4 de abril de 2009
Correnteza Carioca
tem a força de cem Maracanãs
são milhões que só sonham em encher a rede
sejam bolas, ou peixes, ou amanhãs.
Só conseguem torcer a fé e a grito.
Quando escutam o assobio do apito
é que o barco já atracou no cais.
E desaguam no mar esverdeado
têm os olhos cansados, marejados,
mas não param de querer sempre mais.
Sei que é um Rio bem grande, e a correnteza
é capaz de cobrir o Redentor
E o abraço incompleto e eternizado
não seria tão útil ao nadador.
Não seria um cruzeiro, ainda que cruz,
e ao cruzar um farol que não tem luz
vagaria em busca de outra ilha.
E sabendo ser feito de sabão,
lavaria a cidade, na ilusão
de tentar recriar a maravilha.
Sei que é um Rio bem grande, e a correnteza
corre sempre numa só direção
na esperança de achar no oceano
a resposta que explique uma razão.
Mas o mar já cansou de tanta espera
Predador que desiste de ser fera!
Preza pelo conforto de ser presa...
Hoje aguarda a chegada da água clara...
já nem conta a distância que os separa...
já consegue dormir de luz acesa...
Sei que é um Rio bem grande, e a correnteza
é o samba escorrendo lá do morro.
Tamborins e pandeiros são as margens
a cuíca é o grito de socorro.
E no enredo molhado na avenida
cresce e dorme a Esperança, escondida,
confiando na sua proteção.
Mas mal sabe que vive vigiada,
que nenhuma das portas tá trancada,
que a parede é uma bolha de sabão.
Sei que é um Rio bem grande, e a correnteza
carregou sem pensar meu coração.
(Rodrigo Sestrem)
quinta-feira, 2 de abril de 2009
As Aventuras de Ogirdor nas terras de Roma
é sertão feito de areia
é terra seca e vremeia
chorada dos ói primeiro
Até acredito em Sued
e sei que Obaid fede
a bode fio de carnêro
Mudei de nome inda onti
pruque num tinha mais jeito
o qui era meu tava feito
fiz a sesta no horizonti
Quem mi acordô foi o dia
cuns côro chei di valia
e uns ói pur ditrás do monti
Eita, que eu naisci faiz meis
busquei vredade sem sono
vi majistades sem trono
cuspindo uas ordi sem veiz
aí, descobri a Aiseóp
fugi cum ela a galope
o resto, matutem ocêis!
Quis ir pras terra distante
casá com a dona di mim
cheguei lá gritando sim!
qui nem calango falante!
Entonces, matei a soma:
se o Ateóp chega a Roma
Num qué mais segui a diante!
Hoje eu me chamo Ogirdor,
trabalho como Ateóp
moro em taipa e em verso,
casado com Aiseóp.
(Ogirdor Mertses)
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Um do Quatro
e ela: MENTIRA!
Por que então não fico tonta?
Aí, disseram pra ela que tudo que sobe, desce...
e ela: MENTIRA!!
Por que então não piso em nuvens?
Aí, disseram pra ela que a vida é séria...
e ela: MENTIRA!!!
Por que então que a gente sonha?
Aí, disseram pra ela que o amor machuca...
e ela: MENTIRA!!!!
Por que então que a gente insiste?
Aí, disseram pra ela que a rosa murcha...
e ela: MENTIRA!!!!!
Por que então que a gente oferta?
Aí, disseram pra ela que tudo morre...
e ela: MENTIRA!!!!!!
Por que então que a gente cria?
Aí, disseram pra ela que ela bem que podia estar certa...
e ela: Primeiro de Abril!!!!!!!!
(Rodrigo Sestrem)
Minguante
Uma lua só não bastava
Um sol apenas, tão pouco.
Sentia como se o céu
mirasse nele,
pronto pra atirar a próxima chuva.
Ele achava o céu sardento
tanta estrela salpicando o rosto
as bochechas nuas num azul escuro,
vez em quando brancas, maquiadas em nuvens.
No meio, a boca da noite,
banguela, como toda boca antiga.
Ele achava a noite triste
lágrimas cadentes, choros meteoros,
e todo pedido que fazia
era um só
pedido.
Que o Sol se atrasasse um pouco.
Ele achava o dia claro
Claro demais pra se achar alguma coisa.
Gostava do Sol, é verdade,
mas preferia vê-lo através da Lua.
Ele próprio se sentia eclipse
Refletia a si mesmo, e se escondia.
Era sombra iluminada.
Era noite dizendo: "Bom Dia"!
(Rodrigo Sestrem)
terça-feira, 24 de março de 2009
No encontro dos pontos cardeais
se os olhos não fossem dois faróis,
se a vontade não encontrasse a voz,
ou se o amor resolvesse dormir cedo.
Se os sorrisos se encolhessem de medo,
se escondendo em armários tão normais,
e aceitassem a inércia como paz
sem provar o macio azul de um beijo,
onde é que restaria algum desejo?
No encontro dos Pontos Cardeais!
Há de haver o tempero do sotaque,
há de brotar das peles outro tom,
e o sabor do suor sobre o batom
é motivo bastante pro ataque.
A distância é uma régua de araque,
que não sabe que já não é capaz
de deixar qualquer coração pra trás.
Hoje o Sul dorme abraçado com o Norte,
hoje eu sei que o Amor nasce mais forte
no encontro dos Pontos Cardeais.
(Rodrigo Sestrem)
sexta-feira, 20 de março de 2009
Tupi faz Tudo
E era um pifeTu pifa
Tupi fazendo o som
E era um pífaro fino
Farejador
Fareja o furo
Tapado, furado
Furacão!
E tá pifado
E é festa
Pífano Chão
E era um pife
Gol pifa
Golpe falando assim
E era um pifa no velho
Sol do sertão
Ser tão soprado
Que eu sopro
Só pra soprar no fim
Quem tá afim
Sopra o pife
E pifa no chão
E pisa o pó da terra até pelar o pé no chão!
E tupyzando até parece um pirilar
Pinica capa de pata de caboclave em fá
Careta reta arretada de cá pra lá!
E era um pife
Tão velho
Pifando sem saber
Que pra pifar sem pifar
Basta ser quem é
E em pleno inverno
Eu tô nu, de capote
No verão
Prima ver antes
Que a chuva
Pife o Noé
E então, não pife
Teu pife
Apenas por pifar
E quando pifa lá muito
Diz por favor!
Que todo furo
É escuro igual
Futuro é
Tupi faz tudo
Pro mundo
Nunca pifar.
(Rodrigo Sestrem / Leandro Fuloresta)
quarta-feira, 18 de março de 2009
Eletro ou Estático
Naldo, o Rei (ou No Truque!)
terça-feira, 17 de março de 2009
Ensinando a pescar...
sábado, 14 de março de 2009
Samba Trindade
quarta-feira, 11 de março de 2009
Longe do Chão
faz de conta que era você...
Faz a conta então,
conta até um milhão que eu já vou me esconder.
Se quiser me achar
vai me procurar bem pra longe do chão!
Que eu peguei um cometa,
saltei numa estrela
e parei em Plutão!
Dei um pulo no Sol,
preparei meu anzol
e fisguei um verão!
Faz de conta assim
diz que agora já era eu.
E eu era o caubói
o maior herói que algum dia nasceu.
Era o mais veloz
e com a minha voz
faço o mundo tremer!
Se eu soltar um sussurro
causo um terremoto
que afunda o Japão!
E com um grito bem forte
o sul vira o norte
e o céu vira o chão!
Era uma vez um furacão
que não queria mais rodar
Já tava tonto...
parou e pronto!
Resolveu descansar.
Mas enjoou,
quis voltar,
mas não viu vento nenhum...
Se arrependeu,
quis assoprar,
Mas hoje o coitado não passa de um pum!
(Letra de Rodrigo Sestrem - Música de Léo Pinheiro)
domingo, 8 de março de 2009
Mãe da Criação
que levaram por nome Tempo e Pressa.
Sou culpada, admito, ré confessa,
mãe de qualquer Depois e todo Antes.
Com a força de milhões de elefantes
eu carrego o planeta em minha mão.
Faço a bola girar igual pião
apoiada na ponta do meu dedo.
Nessa hora, eu revelo o meu segredo:
mais que Pai, sou a Mãe da Criação.
A Saudade nasceu no mesmo dia
em que fiz brotar firme a Distância.
São melhores amigas desde a infância
são amantes do Acorde e da Poesia.
Quando criei a fôrma da Alegria,
na euforia, deixei ela no chão.
Aproveitando a tal situação
a Tristeza também se fez, sem medo.
Vou assim revelando o meu segredo:
mais que Pai, sou a Mãe da Criação.
A Verdade, eternamente menina,
goza a sua inocência de criança
basta pôr pés no chão, e ela já dança,
num sorriso que aprende e que ensina.
Nem percebe os olhares de rapina
que a Mentira lhe lança, sem perdão.
São o espinho e a flor de um só botão,
fruta doce que traz consigo o azedo.
Hoje lanço pro mundo o meu segredo:
mais que Pai, sou a Mãe da Criação.
Trago a história pintada nas retinas
cores leves e fortes misturadas.
O vermelho das rosas ofertadas
é o mesmo das vis carnificinas.
Belo verde das matas e campinas
também veste e disfarça o batalhão.
Fiz do Cosmos minha grande exposição
qual criança pintando algum lajedo.
Rabisquei pelo mundo o meu segredo:
mais que Pai, sou a Mãe da Criação.
O Amor é meu filho mais antigo
é ator de encarnar mil personagens.
Muda de figurino e cria imagens:
pai, amante, herói, irmão, amigo.
Ele é céu estrelado e é abrigo,
é guiado e se vai sem direção.
Vive, morre e renasce como o grão
que faz brotar do peito um arvoredo.
Só quem ama compreende o meu segredo:
mais que Pai, sou a Mãe da Criação.
(Rodrigo Sestrem)
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Fusão
Acolha.
Pra ser árvore,
não basta uma só folha.
E uma árvore só
não faz floresta!
É deserto,
e a areia é o que resta.
E até mesmo a areia
é junta.
Uma só
é só grão, é defunta.
Morre e some sozinha,
num pé de vento.
Mesmo o tempo
é um punhado de momento.
E quando eu chorar,
entenda:
só queria
dividir a merenda.
Noite cheia de estrela
é que clareia.
Refeição
só é santa quando é ceia.
Se quiser ser um,
abrace!
Todo gol
é gerado por um passe.
Fazer coro é de pele,
é fusão!
Fazer solo
é flertar com a solidão.
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 24 de janeiro de 2009
Grito no Canto
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Pra Falar da Bahia
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Oito ou Oitenta ou Oitenta e Oito ( 08/01/09 )
Ou mora no térreo ou na cobertura
Ou tu anda nu, ou tu usa armadura
Ou ama a pureza, ou vive a mistura
Te entrega à doença ou vislumbra a cura
Pois tudo que é médio
Faz rima com tédio
Não dá pra ser calmo, e assim mesmo amar
E nem ser poeta e se analisar
Criar uma lista, mas não anotar,
E aceitar o Caos pra tentar arrumar,
Pois tudo que é médio
Faz rima com tédio
Ou tu pula o muro, ou se encosta e cochila,
Ou vai só com corpo, ou então enche a mochila
Ou entra no fim, ou então fura a fila!
Ou tu é costela ou assume que é argila!
Pois tudo que é médio
Faz rima com tédio
E não me convença a ficar confuso
Ou não me ofereça, senão eu abuso!
Se eu sou inocente, então eu acuso!
E como tá gasto se eu quase não uso?
Pois tudo que é médio
Faz rima com tédio
Ou tu diz que ama, ou deixa ir embora
Que o tempo só pára pra passar a hora
Não dá pra, de dentro, respirar lá fora
Ou fica calado, ou diz logo agora!
Pois tudo que é médio
Faz rima com tédio
Se o oito é pouco, vai logo pro oitenta,
Se dá pra ser hexa, não basta ser penta
Não corre os cem metros se tu não agüenta
Se nem maratona, porque não se senta?
Pois tudo que é médio
Faz rima com tédio
(Rodrigo Sestrem)
Irará ( 07/01/09 )
Será que irá sarar
A dor doce e dourada
De moça enamorada
De cantador sem par?
Será que irá cair
De queda amortecida
De morte aborrecida
Talvez sem se ferir?
Será que Irará?
Pousada na calçada
Quem dorme, escuta nada.
Quem vive, cantará!
Será que irá correr
Sem completar a linha?
A Vida ainda engatinha,
O Amor tá pra nascer!
Será que irá contente
Contando cada passo
Medindo tempo e espaço,
Ou insensatamente?
Será que Irará?
Pisada em plena roda
Certeza não se poda
Quem ama, entenderá!
(Rodrigo Sestrem - Soluz Terrarium)
Brincadeira Nova ( 06/01/09 )
Poesia derramada,
Cambalhota em descarrilho,
Saudade em estribilho.
Parceria nessa estrada
Cada um pôe um ladrilho.
E a estrela descobre o brilho
Da canção desenfreada.
E um moço lá distante
Vem alegre e cantante
Me contar a novidade,
Que é de verso que se vive
Nesse mundo de saudade.
Sem saber que, na verdade,
lá distante é aqui do lado
E a distância é só poeira
E a certeza que me invade
É a de um mundo já rimado
Comandando a brincadeira.
E a gente dança ciranda,
Canta poesia, cata alegria
Sem nunca cansar.
A gente pula fogueira
Roda pião, escreve a canção
De menina ninar.
Menina, dorme tranqüila
O Amor não tem fila, e a luz que cintila
É o mesmo luar.
Menina, a lua não mente
Clareia contente a vida da gente
Se a gente deixar.
(Rodrigo Sestrem - Maíra Guedes)
Entre um Verso e um Amor ( 05/01/09 )
Sinto a força de algum verso
No horizonte ou mais além
Cá do alto é o inverso
Dos olhos de quem
Já não vê, já não crê.
Busco o verso no horizonte
Na beira de um caldeirão
Creio estar lá embaixo a fonte
Onde vou mergulhar minha mão
Machucada, esquecida,
Depois que escreveu alguns versos
Que o horizonte enviou...
Veja a flor da laranjeira
Desabrochando o baixio
A garça cortando o vento
E os igarapés se enchendo de luz...
Busque nesse horizonte
Um caminho pra trilhar
Na beira desse destino
Tal qual um menino
Na barra a sonhar
Na prosa do tempo
Uma flor, entre um verso e um amor,
É a vida a passar...
Canta o verso que eu te dei
Me diz quem é você!
Sou um pássaro cantor
Por que me escolheu?
Porque a vida tem seu tempo
O tempo não passou, não disse nada que eu queria ouvir!
Me diga o que vc quer ouvir!
Meu caminho se perdeu
Não deixe de sonhar
Já lavei as minhas mãos
Então podes cantar
Minha voz explode ao vento!
Então, chegou seu tempo, liberte as asas e podes partir!
Já tenho asas, não vou mais cair!
(Rodrigo Sestrem e Maviael Melo)
domingo, 4 de janeiro de 2009
Em Cena ( 04/01/09 )
E a tal Verdade?
Alguém viu? Alguém pegou?
Eu nunca vi, mas sei que existe por aí.
Como caiporas, lobisomens de algum mato,
Assombrações, botos, boitatás e sacis.
Ando nas ruas,
Olho os becos mais escuros,
Meço e apuro cada canto do lugar
Espreito frestas, desço em bueiros, subo muros
Mas a tal Verdade não tá lá.
Alguém me avisa
Solta um grito, me cutuca
Mas me salva da arapuca
Que tá sempre por um triz!
Não deixa o sono
Me vencer, me dá rasteira
Me derruba da cadeira
Dá um soco em meu nariz!
Atua e canta
Tenta a tua sorte cega
Nega o medo, pula e pega
E não solta nunca mais!
Esquece a busca
Mente, engana, até canastra
Que a Verdade se alastra
Na agonia, já sem paz.
É nesse instante
Que a tua chance pinta
E a verdade vira a tinta
Que disfarça o teu sorriso
E qual palhaço
Já no fim de sua cena
Esquece o riso, a dor e a pena
E a agarra sem aviso.
E é entre os dedos
Já presa na tua teia
Que a Verdade vira areia
Pra escorrer sem nem te olhar...
Foge sorrindo
Pulando quase sem pressa
Ciente de que começa
Outra história pra contar.
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 3 de janeiro de 2009
Desinvenção do Amor ( 03 /01/09 )
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Ofícios ( 02/01/09 )
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Tá Certo, errar é Um Ano ( 01/01/09)
domingo, 28 de dezembro de 2008
Fuga
Caminho da Busca
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Menestreando
Overdose
Poesia demais anestesia
Cada verso é uma dose de morfina
Cada rima ilude e alucina
E uma métrica certa é o que vicia.
E o torpor travestido de alegria
Sempre esgota em plena madrugada.
Com a próxima dose preparada,
O poeta espanca sua veia,
Qual aranha picando a própria teia,
Se injeta outra estrofe já sonhada.
E assim segue o poeta viciado.
Quando fuma cordéis, cheira os modernos.
Guarda tudo escondido nos cadernos,
Transmutados em tintas e papéis.
E aceita com calma o seu revés,
E paga qualquer preço ou valor
Pela morte de não sentir mais dor.
Ao trocar a morfina por cicuta,
Ele alcança o final de outra disputa,
Qual poeta que morre com o Amor.
(Rodrigo Sestrem)
Desfé
Converso com versos diversos
Que passam por minha cabeça...
Já não acredito nas rimas,
Talvez eu não mais as mereça...
Não sei mais fazer poesia...
Nem sei mesmo se as fazia...
Cansei de tentar, pelo menos...
A vida não passa com a gente,
Só nos observa, quieta...
Aposta o destino provável,
E quase sempre ela acerta...
E a eterna criança brincando,
Nem vê o ponteiro voando...
Nem vê o parquinho fechar...
(Rodrigo Sestrem)
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Mensageiro
Eu vim pra contar
que a fartura passou por aqui
só que ela resolveu não ficar
que caminho tomou, eu não vi
e as pegadas que eu tentei seguir
o Sol seco tratou de apagar...
Eu vim pra contar
que essa terra tão seca no chão
é meu berço, é meu mote, é meu lar
é de onde brota a inspiração
pra rimar as linhas da minha mão
com as linhas que o Sol faz rachar...
Eu vim pra contar
que uma flor vermelha já brotou
pede água, mas água não há
E a cor dela ainda não desbotou
e, garanto, não vai desbotar!
pois a flor aceitou seu lugar
e sua cor foi o Sol quem pintou...
Eu vim pra contar
que boatos começam a correr
sobre águas que podem chegar
sobre gelos que vão derreter
sobretudo, a respeito do mar
que o sertão pode até afundar,
e o que Sol vai ficar para ver...
Eu vim pra contar
que a viola que teima em sofrer
e esse pife soprado no ar
e a rabeca arranhada a gemer
são as vozes de quem, ao nascer,
viu o Sol e aprendeu a sonhar...
Eu vim pra contar
que o sertão ainda ousa sorrir
e viver, apesar de secar,
e que, mesmo sem ter pra onde ir,
o seu povo escolhe seguir
com o brilho do Sol no olhar...
Eu vim pra contar
que esse povo que troca o sertão
sonho vão da vida melhorar
na cidade já sem coração
ainda sonha com o dia de voltar
pra no fim dessa vida chorar
tendo o ombro do Sol como irmão...
Eu vim pra contar
e a mensagem completa contei
resta agora à minha casa voltar
lá nas terras que um dia deixei
tanto tempo que eu nem sei lembrar
do caminho, e me deixo guiar
pelo mesmo Sol que sempre amei...
(Rodrigo Sestrem - Poesia musicada por Pedro Araújo)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Mal-me-Quer (Renato Luciano de Paula)
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Chegou a Vez
Chegou a vez desse céu
Desse céu que é só seu
Que é só meu
Que é de todos
Que um dia olharam pra um céu
Tão azul, tão anil,
Que sumiu
Que ficou tão escuro
E vazio...
Chegou a vez desse mar
Desse mar, maravilha
Da ilha
Que bóia tranqüila
Não sabe que tem a seus pés todo um resto
De vida e de morte
Sem dor
Sem razão...
Chegou a vez desse chão
Desse chão, chama Deus
Que só Deus
Para nos ajudar a pisar
Sem esse medo de ter
Nossos dedos
Comidos por chãos
Canibais...
Chegou a vez da canção
Da canção
Pra cansar
Pra caçar, pra causar uma revolução
Uma revelação da criança que
Chora escondida
Por trás dos
Jornais
Chegou a vez, minha vez
Nossa vez, nossa voz!
Pra quem vê
Tanto fez, tanto faz!
Faz tanto tempo que o tempo não pára
Pra ver a vergonha
Estampada
No olhar
(Rodrigo Sestrem - poesia musicada por Maviael Melo)
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Depois eu conto...
Sem saber que era verdade,
Eu busquei...
E os tropeços me doem ainda,
Como saudade da pedra que eu chutei.
Lembro pouco da estrada...
Terra ou asfalto, é possível.
Era estrada, e isso basta.
As placas não diziam nada,
Brancas feito qualquer coisa que não é.
Eram olhos cegos, que não me viam
Mas sorriam quando eu passava.
Nunca sorri de volta...
Até que um dia, cheguei.
Não aonde queria (pois o que é que eu sei do meu destino?)
Cheguei ao fim da estrada.
Sem muros, sem precipícios, sem mares ou rios.
Mas eu sabia que era o fim
E assim, sabendo que a verdade
Tinha ficado lá longe,
Sentei e esperei por ela.
Quando ela não veio,
Sai da estrada
E segui.
Quando eu conseguir sair de onde vim parar,
Eu conto.
(Rodrigo Sestrem)
sábado, 29 de novembro de 2008
Depois do samba
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Paradigmas
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
A Mulher
Foi quando eu a vi chegando.
Via apenas seu vulto. Estava longe, muito longe, mas eu sabia que era pra mim que ela olhava.
Pra mim, no meio da multidão de pessoas e pessoas que havia ao redor, era pra mim que ela olhava.
E eu pressentia que apenas eu a via.
Linda. Linda. Seus cabelos eram negros e belos e longos, como as noites de estrelas das noites da ilha.
Seus olhos, negros como os negros cabelos noturnos. Linda.
A multidão continuava seu caminho na direção do vazio de cada vida que dela fazia parte, vazios que se encontravam no mesmo lugar.
Ninguém percebeu a mulher chegando.
Só eu.
Ela também parecia não ver o mundo de gente ao meu redor, seus olhos eram guiados para os meus, e o frio da noite crescia como crescia o desejo de olhar para sempre aqueles olhos.
Olhos negros e belos e distantes.
Mas cada vez mais perto.
Foi quando ela me disse "Siga-me".
Não era uma ordem, mas não pude negar.
Quando toquei sua mão macia e fria, entrelaçando meus dedos nos seus, já não enxergava mais o rebanho de indivíduos que agora há pouco ao meu lado perambulavam.
Éramos apenas nós dois.
A mulher e eu.
Perguntei-lhe "Quem é você" e ela, calada, disse "A Vida".
Sorriu.
Sorri.
Foi quando paramos à beira do mar, e ela, de repente nua, abraçou-se a mim, de repente nu.
Corpos nus e frios e quentes de desejo.
Seus olhos diziam "Beija-me" e os meus resistiam.
Pensei na multidão, que podia estar assistindo àquele espetáculo inusitado, mas multidão não mais existia.
Ela disse "Antes pensar em seus amigos, em sua gente".
Pensei.
E senti saudade, e senti o amor crescer ao redor de nós, e do mar, e do firmamento.
Linda. Linda e nua.
Sonhos passam por nós em nossos sonhos, sonhos belos e incríveis.
Mas aquele sonho era maior.
Linda e nua. Linda.
O frio aumentava, mas já não mais o sentia.
Seu abraço aquecia meus pensamentos, e meus pensamentos aqueciam nosso abraço.
Falei "Quero te beijar agora".
Seus lábios tocaram os meus, e sua língua roubou meus sentidos.
O mundo girava, parado, estático, mas girava com a velocidade da luz.
Luz que emanava de seus cabelos negros, de seus olhos negros.
Perguntei-lhe, finalmente "És A Vida ou A Morte".
Respondeu-me apenas "Sou".
Sorriu.
E me levou de mãos dadas pela estrada que surgiu no mar.
Nasci.
(Rodrigo Sestrem)
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Mar Bravio
Mar bravio, fios de espuma...
Conte uma, duas, três!
Cante as ilhas de uma vez,
Mire o Sol, antes que suma!
Admita, aceite, assuma
Que a saudade te agride!
Que a distância coincide
Com a próxima aurora...
E se a hora te devora,
Não demore mais, duvide!
Ame a interrogação,
Tenha sempre outra pergunta.
Com tanta mentira junta,
Vale a pena ter na mão
O talvez, o sim e o não,
Pra que, antes que seja tarde,
Dialogues, sem alarde,
Preparado e prevenido,
E encontres, escondido,
O olhar de uma Verdade.
Equilibre-se na crista,
Surfe a vida devagar.
A Verdade como par
Está lá, ainda que assista.
Se cair, não, não desista!
Mire o olhar que te aguarda,
Que o sucesso já não tarda,
Pois o mar bravio te ama!
Na praia, a criança chama,
Vai ao mar, mergulha, nada.
Mas a água é traiçoeira,
Nem bem cai em seu domínio,
A Verdade, em seu fascínio,
Cai nas mãos da brincadeira!
Distancia-se da beira,
Entrega-se à imensidão.
Sente vir do coração
A vontade de ir ao fundo...
Olha o céu, respira o mundo,
E mergulha, busca o chão.
E assim tentas, já em vão,
Alcançar a mão pequena
Que afunda sem ter pena,
Que condena tua ação.
Tu te entregas à ilusão
De que a Verdade respira
Ar e água, Tinta e Lira,
E que a poesia basta
Pra vencer uma já gasta,
Mas ainda viva mentira.
Te retiras do oceano
Trazes à tona a verdade
Em teus versos sem vontade,
Em tuas rimas por engano.
Ainda assim, não causas dano
Aos caminhos dessa vida!
Lá do fundo, comovida,
A Verdade te agradece...
Em seguida, te esquece!
E também segue esquecida...
Algum dia, outro amador,
Poeta por natureza,
Há de encontrar, com certeza,
A Verdade e o Amor.
Num mar bravio sem calor,
Ou nas ilhas que contar...
Não importa em que lugar!
Basta mergulhar sem medo,
Desvendar outro segredo,
Pra Verdade respirar.
(Rodrigo Sestrem)
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Grãos de Poeira
Ainda que agrade
Viver da saudade
Que vem quando vai!
A terra se esvai
Gerando uma nova,
Peito posto à prova
Passa com louvor
Vivendo o amor
Em verso ou em trova.
A vida te aprova
Se ousas sonhar
Se buscas no ar
Os grãos de poeira.
Se pulas fogueira
Sem queimar os pés,
Se vais ao convés
Pra içar tua vela...
Se à moça mais bela
Tu mostras quem és!
Então nem mil fés
Seriam o bastante
Pra o riso constante
Riscar do teu rosto.
Um rei já deposto
Teria em seu trono
O Amor como dono,
A Lei de um só nome:
Comer se tem fome!
Sonhar se tem sono!
Não há abandono
Maior que a saudade...
Nem tanta verdade
Que afogue o talvez!
Chegada tua vez,
Procure ser franco,
Busque um verso manco,
Escreva a mentira,
Coloque-a na mira
E a rasgue, num tranco!
Um papel em branco
É suficiente
Prum verso inocente
Vir sem ser chamado.
Um peito cansado
Que teme a mudança,
Não ama nem dança!
Não cumpre sua meta...
Não vive, vegeta!
E nunca descansa.
(Rodrigo Sestrem)
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Escolha

A Escolha é punhal enferrujado
a ferrugem é sangue ressequido
ressentido das mil encruzilhadas
tão distante dos becos escondidos
Há os que amam as ruas sem saída
os que passam a vida sobre trilhos
já conhecem a volta antes da ida
e assobiam somente os estribilhos
Já conhecem de cor a paisagem
têm no armário seus sacos de migalhas
nem cogitam pisar além da margem
e só sobem pra jogar as toalhas
Nesses tantos, eu já não acredito.
Fazem por merecer a sua bolha
Prezam pelo silêncio em pleno grito
Já escolheram não ter nenhuma escolha.
Uns se lançam aos ventos passantes
submetidos à direção alheia
marionetes de mentes repugnantes
desconhecem o que o coração anseia
No tempo cruzadores de guinadas
sobressaem aos pífios desistidos
pois na Escolha das lutas travadas
desbloqueiam os muros construídos
O punhal é perene ferramenta
extensão do braço do guerreiro
e pra aniquilar qualquer tormenta
desembainhá-lo ante ao espelho
(Rodrigo Sestrem e Soluz Terrarium)
