quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Escolha


A Escolha é punhal enferrujado
a ferrugem é sangue ressequido
ressentido das mil encruzilhadas
tão distante dos becos escondidos

Há os que amam as ruas sem saída
os que passam a vida sobre trilhos
já conhecem a volta antes da ida
e assobiam somente os estribilhos

Já conhecem de cor a paisagem
têm no armário seus sacos de migalhas
nem cogitam pisar além da margem
e só sobem pra jogar as toalhas

Nesses tantos, eu já não acredito.
Fazem por merecer a sua bolha
Prezam pelo silêncio em pleno grito
Já escolheram não ter nenhuma escolha.

Uns se lançam aos ventos passantes
submetidos à direção alheia
marionetes de mentes repugnantes
desconhecem o que o coração anseia

No tempo cruzadores de guinadas
sobressaem aos pífios desistidos
pois na Escolha das lutas travadas
desbloqueiam os muros construídos

O punhal é perene ferramenta
extensão do braço do guerreiro
e pra aniquilar qualquer tormenta
desembainhá-lo ante ao espelho

(Rodrigo Sestrem e Soluz Terrarium)