segunda-feira, 29 de junho de 2009

Casa Rosa

A vida é linda porque existe uma Morena
que pede beijos, dengosa...
fazendo beiço,
e eu quase esqueço
da tempestade que inunda ao redor...

A vida é linda porque existe uma Morena
que gosta dos cabelos
doidos, desgrenhados...
e eu quase esqueço
que não é só coração que dá nó..

A vida é linda porque existe essa Morena
que ama o mar, no fundo,
e vem das ondas, sereia antiga,
amante amiga,
e eu quase esqueço
que é tudo o mesmo amor...

A vida é linda porque existe uma Morena
que morde o beijo, e sopra,
me vem faminta,
e eu quase esqueço
que é na multidão que estou só...

A vida é linda porque existe uma Morena
que sopra o pife, e beija,
e que me olha assim...
e eu quase esqueço
que só por isso eu vim...

(Rodrigo Sestrem)

domingo, 28 de junho de 2009

Me dá frio na barriga, Morena (Música)

Me dá frio na barriga, Morena,
ao lembrar do calor do teu beijo...
por pensar que essa vida é cortejo
e eu não quero chegar só no fim!
Saiba que eu sempre te olhei assim
e não vou mais fingir que não vejo!
Se ao pensar em você eu fraquejo,
é porque você me faz mais forte!
Se eu te olhar assim, não se importe,
é o Poeta enxergando a Poesia.

E a saudade que serve de guia
é avalanche de neve, só cresce,
mas que, em vez de ser fria, aquece,
pois me lembra que a vida é bonita!
Com teu cheiro, meu peito se agita
e procura o teu peito em dueto,
teu sorriso virou amuleto
os teus olhos, a porta de casa,
o teu beijo é voar sem ter asas,
me dá frio na barriga, Morena!

(Rodrigo Sestrem)

sábado, 27 de junho de 2009

Pequenambucana (2004) (Música)

Pequena,
Nos teus olhos há Cirandas
A banda toca na esperança de te ver
Como eu que, ao te ver, me vi sorrindo,
seguindo a roda de mãos dadas com você...

E essa saudade de um lugar que nem conheço
é o começo de um amor que eu descobri
nuns olhos verdes, ao som doce de Cirandas
nós na varanda ouvindo os versos que escrevi...

Pequena,
Olhos de Maracatu
Nação de festa, vira o baque do tambor
Alfaias em meu peito falam alto
eu salto, danço, busco louco o teu amor...

E essa saudade de um lugar que nem conheço
é o começo de um amor que eu encontrei
nuns olhos verdes, ao som de um Maracatu
dois corpos nus, dois loucos, nós, foras-da-lei...

Pequena,
Vejo o Frevo nos teus olhos
Belas sombrinhas lhe protegem o coração
Russos-capoeiras vêm dançando,
e eu, liderando, lhe dedico esta canção...

E essa saudade de um lugar que nem conheço
é o começo de um amor que apareceu
nuns olhos verdes ao som veloz de um belo Frevo
agora escrevo só pra provar que já sou teu...

(Rodrigo Sestrem)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Culpa Santa

Poeta,
segue em frente que não tem mais férias!
As coisas sérias chegam a galope,
e a veia entope com sonhos guardados...
Se tens os dados em teu bolso, joga
está em voga o tempo dos sem medo!
Não é segredo que o mundo cansou
e que já se queixou
com Deus, e tá parando...

Poeta,
vai tua vida, e vai tua vida agora!
A voz lá fora é a mesma que calou
e que estourou a bomba da poesia
causando o dia na tal noite escura...
A tua loucura é simples, é tranquila
estás na fila do banco dos réus
que sonham céus clamando a culpa santa
de quem levanta
e começa a rimar...

(Rodrigo Sestrem)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Conclusão 3

O Tempo é um velho apertado sem coragem de mijar na esquina.

(Rodrigo Sestrem)

Conclusão 2

A Poesia é uma menina perdida dos pais no shopping, há 57 anos.

(Rodrigo Sestrem)

Conclusão 1

O Tédio é um prédio em chamas na noite mais fria do século.

(Rodrigo Sestrem)

sábado, 20 de junho de 2009

McVida

Já tentei vender versos nessa estrada
saladas só com palavras seletas
mas ninguém nem olha nem compra nada
foi cortada a poesia das dietas!
E o amor, a cozinha dos poetas,
virou especialista em Fast Food!
E quem acha que é carne, só se ilude,
mais parece um cd com gosto e mole
e como tem gente que só engole!
Ainda vão se engasgar com tanto grude!

(Rodrigo Sestrem)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Novo de novo (Música)

Eu ando a procura de uma nova canção
De versos serenos, alegres, brincantes
E antes que acorde no mote de antes
Noutras variantes procuro um refrão
Que acorde um acorde do meu violão
Num acordo sonoro doutra melodia
Rabisco no espaço mais uma poesia
Vou metrificando, meus versos no espaço
Em rimas de sons cantando o compasso
Joguei a bandeja noutra cantoria

Abri a palavra e segui o sentido
Num tom sustenido eu já quero cantar
Aumentando a passada em um novo bailar
Nos braços dos versos que estavam perdidos
Eu ando a procuro de um canto pedido
Um mote qualquer que mude a batida
A carta na manga, que vira a partida
O timbre perfeito da nova canção
O sopro que afina os tons do salão
Gerando bailados felizes da vida

E o novo, de novo, me chega do nada
e eu admito: ele me viu primeiro!
me chega sorrindo, meio desordeiro,
me olha de lado, com a roupa engomada.
e a carta da manga era dele, a danada,
e o timbre perfeito era o da sua voz,
e o sopro era um leve suspiro de algoz
que o novo, de novo, respira, tranquilo,
e eu, simples poeta, com jeito de grilo,
viro consciência com a garganta em nós.

Eu sigo à procura da canção rebenta
dos serenos versos, brincantes também
pois toda poesia é sempre neném
que baba e cochila, que cai e que tenta!
E o bebê de versos, sou eu quem sustenta
dando de comer rimas amassadas
a cada “outra vez” são fraldas trocadas
e um dia, quem sabe, depois de crescida
minha filha Poesia, e a missão cumprida,
já posso ir embora por outras estradas.

(Maviael Melo / Rodrigo Sestrem / Gustavo Henriques)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Cia Mulungo!!!! 1º Clipe!

Salve, Galera!!

Aí está o nosso primeiro Clipe! Cia Mulungo na área!!!
Assistam e divulguem!

COME TOGETHER / PAPAGAIO DO FUTURO (Lennon/McCartney - Alceu Valença)
Arr. Oswaldo Montenegro





(Rodrigo Sestrem)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Côsa Nossa

Só uma Côsa faz meu pai chorar...

E vem rebolando,
sorrindo sem dentes,
com pêlos caindo,
pedindo um pedaço...

Só uma Côsa faz meu pai chorar...

E manda na casa,
escolhe o almoço,
controla a dormida,
engasga o latido...

Só uma Côsa faz meu pai chorar...

E não desce escada,
não deita de costas,
acorda assustada,
não come banana...

Só uma Côsa faz meu pai chorar...

E não sobe escada,
tem barriga rosa,
e o olho igualzinho
ao do Gato de Botas...

Só uma Côsa faz meu pai chorar...

E foi testemunha
do primeiro beijo
e viu a família
ir e vir e ir e vir...

Só uma Côsa faz meu pai chorar...

E Bula também...

E Fontedajuventunzuns também...

E Nati também...

Afinal, não é qualquer Côsa...

Eu choro também...

Corre atrás do cobertor gigante, Côsa...

Arrá!
Arrá!
Arrá!

(Rodrigo Sestrem)

Circo-Lar

Eu quero ser palhaço!
Quero ser Quirino, e amar Maria!
Quero pintar o rosto de tinta barata,
me vestir colorido com roupa rasgada,
me despir das vergonhas trazidas com o tempo!
Quero desaprender canções, cantar paixões,
regar sorrisos, chorar azuis!

Quero dançar ridículo,
e balançar os braços,
como que tentando afastar más idéias...
Quero olhar o espelho
e ver a cara qual papel em branco,
desenhado de cores livres
que nem rabisco de criança distraída...

Quero ser Palhaço!
Tocar realejo sem ter manivela
Sorrir sem por quê, mesmo com olhos tristes...
Ser ladrão de mulher,
sair dentro da lei, bobo que é rei,
que conduz sua corte
sem cetro ou espada, só risos...

Quero amar alguém
como quem só ama porque senão chora
Amar sem por quê, mesmo com peito em prova...
Quero o rosto contente
em ser rosto com tinta, contanto que limpo...
E limpar o picadeiro já velho
do mundo mais velho que é tão circular...

(Rodrigo Sestrem)

domingo, 7 de junho de 2009

Semana ideal

Tivesse eu direito a três desejos,
pediria primeiro sete sextas-feiras na semana...
segundas, terças, quartas e quintas seriam sextas,
e sábados e domingos seriam, finalmente, sextas também...
em segundo lugar,
faria com que o relógio ficasse preso
entre meio dia e três da tarde...
às três e um, seria meio dia...
em terceiro,
que ela só tivesse prova às segundas...

(Rodrigo Sestrem)

sábado, 6 de junho de 2009

Pensando em Si

Fuja não!
Logo agora que te encontrei,
vai embora?
Não!
Não deixo!
Nem venha ficar fria,
não ligar,
fazer pesquisas científicas com meu peito...
Nem venha ter medo do afeto,
que só quem afeta a fé tá vivendo...

Vai brincar com o piano, sem medo!
Cria tua aquarela de notas,
são doze tons, sejam sons, sejam cores...
são tantos dons, sejam bons, sejam dores...

Deixa de ser boba!
Essa história de fugir não serve!
Água sem ligar fogão não ferve!

Não dá pra viver só de dia...
nem dá pra ser noite pra sempre...
É o ciclo que vale,
e o que vale é rodar!
A onda não vem e vem...
nem volta e só volta e pronto...
de que serve só entrar,
se não sair pra entrar de novo?
Nem venha pensar em ficar de fora!

Fecha o olho e toca!

Sai da toca e ama!

Amanhã me conta...

(Rodrigo Sestrem)

Olhos por engano

Olhei no espelho,
e não me reconheci...

Sai buscando minha máscara perdida,
minha cara cara cara,
que ficou pelo caminho...

E sai sem rosto, sem olhos,
vendo apenas preto e branco,
tendo vultos como guias
sendo envolto pelos dias
como se correr não fosse normal...

Ah, e o cansaço me consumiu os sonhos...
Palavras, eu tomei emprestadas!
As minhas também não sabia onde estavam!
Não que o caminho fosse longo...
afinal, andei em círculos!
Mas o chão era movediço,
lamacento, denso...
Penso que se a máscara tivesse afundado,
algum dia alguém havia de achar...

Seria tarde pra devolver?
Seria tarde pra resolver mudar?

Olhei no espelho,
e lá estava eu de novo...
Oxe! Mas o que aconteceu?
A máscara voltou sozinha, de algum jeito...
ou será que eu tava usando os olhos errados?

(Rodrigo Sestrem)