quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Depois cadê?

Cadê a paz que devia estar aqui?
Cadê a calma que devia bater no peito,
no lugar desse coração que não te esquece?
Te prepara que tô a caminho!
Se a paz não veio, vou buscar!
Se a calma não chegou, eu trago!

Cadê o dengo que me viciou?
Cadê o suspiro que me fez maior,
pensando ser bem mais que mil encruzilhadas?
Te prepara que tô a caminho!
Se o dengo sumiu, eu acho!
Se o suspiro secou, eu sopro!

Cadê o "Te Amo" que só ouvi depois?
Cadê o depois, que acabou tão cedo,
e que levou consigo as juras tão fatais?
Te prepara que tô a caminho!
Se o "Te amo" tá mudo, escrevo!
Se o depois já passou, vou antes!

Cadê você, que nunca mais me amou?
Nem menos...

Tô chegando!

(Rodrigo Sestrem)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Cinco mil e dois

Cinco mil pessoas e uma musiquinha tocava só pra gente
Cinco mil cabeças
Cinco mil invejas
Cinco mil vizinhos reclamavam da música que tocava dentro da gente

E quanto mais reclamavam
Mais a gente dançava
A valsa do peito da gente

E quanto mais a gente dançava
Mais se comentava
Da violeta alma da gente

E nessa dança egoísta
As nossas almas riam
As almas gêmeas da gente

E a vizinhança desejava
Que se futucasse
pois havia de ter algo escuro
Bem lá no fundo da gente

E quanto mais escurecia,
mais se cegava
do sol que ardia nos olhos da gente...

e dessa praia inventada
os beijos eram a areia
virando castelos pra gente...

e quanto mais a gente morava,
mais vizinhos reclamavam
da música de dentro da gente

E a vizinhança desejava
só que se calasse
pois havia de ter algo puro
que não viesse da gente...

E quanto mais eles esperavam,
mais a gente ria...
e ria...
e ria...

Cinco mil risos se juntariam ao nosso...

(Renato Luciano / Rodrigo Sestrem)