segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Velho Menino

Vê bem...
Olha com cuidado...
Não te parece também?

Ele é um velho menino,
em eterno transitar no tempo...
Vem a barba branca, vai a barba branca...
Vem velho, volta menino...

Que sais que nada!

O Azul é do olho dele...
O Verde também...

Há de se pedir licença
pra brincar no seu rosto velho!
Velho bondoso, menino cruel...

Há de se amar de longe,
quando ele tá zangado!
Velho incansável, menino dengoso...

Há de se olhar nos olhos,
ao mergulhar na íris salgada!
Velho sábio, menino curioso...

Há de se sentir saudade
do colo de avô que conta histórias!
Velho pescador, menino mentiroso...

Há de se temer sem medo
a força calma que corre em suas veias!
Velho forte, menino brincalhão...

Há de se saber que é berço,
nascedouro imenso de qualquer poema!
Velho poeta, menino apaixonado...

É tão velho quanto o Tempo, esse menino Mar...

(Rodrigo Sestrem)

domingo, 25 de outubro de 2009

Tulevisão de Matuto

Seu Dotô, num leve a mal,
num sô mal-agradecido...
Mas preciso devolvê
o presente recebido
que só causô confusão!
Essa tal Tulevisão!
Eita, caixote enxerido!!

Meus minino, coitadinho,
já nem come mais marmita...
só querem Eme Cê Donáud
a mãe deles fica aflita!
É Maqui Xique! Maqui Fichi!
É Maqui o diacho todo! Vixe!
Mais que coisa esquisita!

Tem um tal de video gâmi...
um que tem uns plei no nome,
que deixa os minino doido!
Só param quando a luz some!
Tem uns bicho dos inferno,
uns barulho tão muderno,
de dá medo em lobisômi!

Inté mermo minha mulé,
sempre tão trabalhadeira,
quis quebrá o pau comigo
por causa de uma besteira!
Porque viu, numa manhã,
um tal Jorge Foremã
vendendo uma frigideira!

A minha filha mais velha,
o sinhô veja se isso pode!
Disse que qué viajá!
Quando eu nego, se sacode!
Qué ir pros Rio de Janeiro!
Diz que vai ganhá dinheiro
com um tal de Bigui Bródi!

Minha sogra, na cozinha...
cada dia inventa um prato!
Só num faz tripa de bode,
num faz bucho, nem faz fato!
Só comida da istrangêra...
de uma lôra faladeira
e de um papagaio chato!

Um dia eu pensei comigo:
pra que toda essa agonia
só por causa de um caixote
que só mostra fantasia...
Resolvi sentá um pouco,
mermo achando que era louco!
Mas pra vê se eu entendia...

E o que eu vi me fez tremê!
Seu dotô, eu nem te conto!
Foi tanta barbaridade
que eu quase que fico tonto!
E ói que eu sô macho que só!
Nunca dei ponto sem nó,
e nem nó fora do ponto!

Vi uns hômi bem vestido,
remexendo as duas mão,
dizendo que era pastor...
Mas eu num vi as cabra não!
Apontavam lá pra cruz,
se diziam de Jesus,
mas só falavam no Cão!

Vi umas moça bunita,
andando tudo em rebanho...
Umas cos peito de fora,
e eu achando aquilo estranho.
Diz que é um tal de TopiLessi
Vai vê é por isso que cresce!
Tinha uns desse tamanho!!

Ouvi umas musga esquisita,
acho que chamava Roqui...
Diferente das cantiga
que a mulé gosta que eu toque...
Aqui o som nasce da terra!
Lá, parece até uma guerra,
cantando e levando choque!

Vi um gordo gozadô,
com as barba esbranquiçada
que só fazia cantá,
perguntá e contá piada...
Tinha uns copo de azulejo...
Mas quando mandô o beijo,
eu desliguei a danada!

Pensei: Onde já se viu?
Não existe mais respeito!
Cabra macho que nem eu
ganhá beijo de um sujeito!
Resolvi: vô devolvê!
Tentaram me convencê,
mas eu disse: Não tem jeito!

E tá aqui ela de volta...
não serviu pra gente não.
Nós não fica chateado,
que o que vale é a intunção!
Mas leve e não traga mais!
Que nós qué vivê em paz,
longe da Tulevisão!

(Rodrigo Sestrem, sobre tema proposto por Emílio Dantas)

domingo, 18 de outubro de 2009

Onde tudo tem e tudo falta (Música)

Me vale, meu São José
Acode, santo qualquer!
Me mostra por onde ir,
Acode que eu vou partir...

Contam que o Amor, já descontente
quis fugir pra longe da cidade...
E assim nasceu, linda e cadente,
uma estrela chamada Saudade.

Pois enquanto aí a noite é alta
aqui ela é cinza e toca o chão...
É onde tudo tem e tudo falta,
e o que mais me falta é o teu portão.

(Léo Pinheiro / Renato Luciano / Rodrigo Sestrem)

sábado, 10 de outubro de 2009

Aos amigos de lá

Amigos!
Sei que fui eu que vim embora,
mas não me esqueçam!
Vim porque precisava...
Vim porque amava, só por isso...
Amor passa, tempo passa,
saudade fica...
saudade fica...

Eu também fico... volto mais não...

Amigos!
Sei que fui eu que vim pra longe,
mas não me esqueçam!
Era que nem voar,
pular do trampolim,
vestir o vento e a água,
sonhar um sonho além...
Sonho passa, tempo passa,
saudade fica...
saudade fica...

Eu também fico... volto mais não...

Amigos!
Sei que fui eu que virei as costas,
mas não me esqueçam!
No próximo luau,
cantem algo pra mim!
Cantem algo por mim!
No violão de Gil,
pintado sem rumo
no espaço... também passo...
saudade fica...
saudade fica...

Eu também...
e vocês, comigo...

(Rodrigo Sestrem)