domingo, 29 de novembro de 2009

Obra-Prima

Escrita em Recife, dia 26/11/09

Se a vida é mesmo essa tal "Arte do Encontro",
acabamos de retocar uma obra-prima.
tendo sorrisos selando o fim do confronto,
como pincéis que passam a tinta por cima.
E que a paisagem que essa nova tinta imprima
seja a do mundo nas horas em que te vejo.
Ou mesmo o sol, liderando algum cortejo,
que cante o amor e a saudade em cada tema.
E assim me resta somente mais um problema:
resistir novamente a te roubar um beijo.

(Rodrigo Sestrem)

domingo, 22 de novembro de 2009

In Vino Veritas

Não se preocupe com o poeta, não...
Sua poesia é mais viva que ele,
é seu oxigênio,
é seu vinho, seu mar...
Deixa o poeta rimar,
pois sem rima e sem métrica
a vida não vale,
o mundo não gira,
as férias não chegam...

Tantas constelações,
e o poeta só mira uma estrela...
que não está lá...

Deixa o vinho reger,
que a orquestra só toca
o que o poeta quer ouvir...
E que transbordem verdades!
E que borbulhem saudades!
E que gargalhem distâncias!

Pois o poeta entendeu...
Pois o poeta aprendeu...

Então, menina,
aceite seus versos,
sem medos, sem gestos,
apenas sorria...

Pois nem sempre o mundo
te chega já pronto,
lindo, perfumado,
vestindo poesia...

A noite, tão curta,
tão longe, tão linda,
se lembra, ainda,
do poeta criança...

E a taça, vazia,
vasculha o céu negro,
encontra a estrela,
e grita, e avança!

E o poeta sorri...
Pois entende que, no fim,
o que vale do encontro,
é apenas o encontro...

O resto, é depois...

Ao mestre poeta,
o poeta aprendiz
agradece, sorrindo...
se despede, feliz...

(Rodrigo Sestrem)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Menina Terra

Se o teu olho ficasse mudo,
ainda assim eu escutaria teus sonhos,
soprados sem pressa em pifes,
sentados sem jeito nos trens...
E te veria girar nessa dança ancestral
de uma gente que sonha e que sua,
e que orbita sorrindo outro ser...

Pois teu nome é Planeta!

Se a tua boca não me sorrisse,
ainda assim eu devolveria alegria
arranhada em arcos e rabecas,
viajando com os pés num país...
E te veria pisar nesse solo sagrado
de uma gente que ri e que sua,
e que faz brotar outro ser...

Pois teu nome é Chão!

Se tua mão não me alcançasse,
ainda assim eu guiaria teus passos
pincelando em cordas de viola
ponteando pensamentos no ar...
E te veria plantar novas buscas
numa gente que pensa e que sua,
e que colhe sua chance de ser...

Pois teu nome é Berço!

(Rodrigo Sestrem)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Quase Verso

Gérbera...
Quase girassol...
Será por isso que é só quase amor
o que volta?

Véspera...
Quase Dia D...
Será por isso que esse verso
é quase revolta?

Mas tá tudo bem...
Amor não é amizade...
também é só quase.

(Rodrigo Sestrem)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O Poeta e a Bailarina

Sou poeta de nascença,
quando vim trouxe comigo
Muitos versos, e te digo:
É melhor do que tu pensa!
É mais benção que doença
essa ânsia de rimar
quando aprendi a amar
entendi o meu ofício
hoje o Amor é o meu vício
impossivel de curar.

Vivo em busca da Poesia
procuro um verso perdido
pelo mundo esquecido,
quase que eu me esquecia!
Mas lembrei, naquele dia
em que o Mar se declarava
para a Lua, que o chamava
e ele, tornado maré
por maior que fosse a fé,
nunca que a Lua alcançava.

Eu me senti esse Mar
buscando a Lua impossível
comportando o incabível
nas palmas do meu olhar.
Vi meu sangue transbordar
em ondas, pisando a areia
caminhei horas e meia
e um Sol cansado rasgou
o céu, e a Lua apagou,
e era um Mar sem Lua cheia.

De repente, ao longe vejo
um vulto descendo a praia
o dia quase desmaia
não suportando o desejo.
Aquilo que eu tanto almejo,
a lição que a vida ensina
o escorrer da areia fina
no caracaxá das horas!
Enxerguei dez mil agoras
nos olhos da tal menina...

Hoje sei que não sou nada
sem a força do meu verso
cada vez mais submerso
nessa existência rimada.
Tantos anos nessa estrada:
Atingi a minha meta
Atirei a minha seta
Já cumpri a minha sina:
Achei minha Bailarina,
E me tornei seu Poeta.

(Rodrigo Sestrem - 2006)

domingo, 1 de novembro de 2009

Antes do Pôr-do-Sol (Música)

Antes de eu perceber, você sorriu
Alma pintada de verde, me viu
Verdes olhos e um cheiro de flor...

Antes de eu me encontrar, você passou
Passarim bailarino em pleno vôo
Passos leves e o céu coloriu...

Antes do pôr-do-sol, você fugiu
Dando as costas pro mar, e o Sol caiu
Queda livre sem chegar no chão...

Antes de te esquecer, eu disse não
Quis guardar teu sorriso em minha mão
Inquilino em meu peito vazio...

(Rodrigo Sestrem)