quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Mãos anciãs

Tua mão é um livro de mistérios
cada linha é um segredo bem guardado
Tens na palma macia o berço aberto
cada dedo, um caminho a ser trilhado.
São parábolas, mitos não contados,
são histórias de antes, de amanhãs,
provas vivas do fogo das irmãs,
terras férteis de mil novos amores,
és Senhora de todos os Senhores,
És a velha menina, és Nanã.

(Rodrigo Sestrem)

Itacoatiara (Música)

Pra falar do mar
saber se é legal
tem que mergulhar
provar do seu sal

Subir no Costão
Ir no Bananal
tão longe do chão
visão sem igual

Jogar futebol,
e até surfar
ver o pôr-do-sol,
me sentir no ar

Isso é bom demais!
Nem dá pra explicar...
Tanto amor e paz,
Praia de Itacoá...

(Iago Muniz / Rodrigo Sestrem)

Conjecturas (Música)

Se essa saudade bastasse pra eu ver as estrelas do céu
e essa vontade de ter a mulher que é banhada de mel
Ai, se eu pudesse ficar sem pensar,
se eu pudesse querer sem chorar...
Os seus olhos seriam as estrelas do céu!

Se essa verdade fosse mais sincera, pra mim, pra você
Se os amores não fossem quimeras, me diz para quê?
Qual a razão de seguir teu caminho?
Prefiro ficar no meu canto, sozinho,
tentando entender o que vem de você!

Ai, os mistérios que somem no tempo de um simples piscar...
Velhos segredos retidos na lente deste seu olhar...
Num acorde perdido, eu encontro a razão
de provar o teu doce, minha inspiração,
de beijar tua boca sem me viciar!

Se essas estrelas do céu me bastassem pra te iluminar
Se essa brisa soprasse o teu beijo e eu pudesse alcançar
Se o pensamento voltasse em meu peito,
e eu, quase sem jeito, fosse procurar
os teus olhos sorrindo pra me iluminar...

(Rodrigo Sestrem / Maviael Melo)

Segunda-Feira (Música)

Vai trabalhar!
Que hoje é segunda-feira, João!
Vai trabalhar!
Hoje não vai chover, chove não!
Vai trabalhar!
Não tem mais brincadeira...
Teu sonho dá rasteira...
Melhor ficar no chão!

Vai trabalhar!
Que o tempo passa rente, mermão!
Vai trabalhar!
É bote de serpente, né não?
Vai trabalhar!
Que o mundo tá rangendo...
Ferrugem tá comendo...
Tá sem manutenção...

Trabalha
que o mundo só falha
pra quem não trabalha, João...
E guarda
o suor do teu rosto
que é pra dar o gosto no pão...
Se a tua fé
tem perna bamba
vai fazer um samba, e dormir...
Que o dia
sempre acorda cedo
pra te sacudir...

Acorda
pra soltar a corda
que te amarra ao sonho, João...
E aquece
essa marmita fria
que tua mordomia é o feijão...
Esquece
aquele idéia besta
de que a tua vez tá no ar...
Domingo
te passou lotado
nem deu pra notar!

Vai trabalhar!

(Márcio Proença - Marcus Lima - Rodrigo Sestrem)

O Sono dos Justos (Cristo Redentor) (Música)

O Sol se pôs
atrás da mão do Cristo Redentor
a sombra em cruz, rendendo toda dor,
abençoando essa cidade...

A noite
vai maquiando tanta solidão
batom nos lábios, desejo nas mãos,
vai colorindo esta viagem...

E os sonhos
que todo dia, todo mundo tem
de melhorar na vida e ser alguém
sem se perder na escuridão

Não
o mal não pode ser maior que o bem
então não guardo mágoa de ninguém
e sigo a minha direção

O sol raiou
iluminando o Cristo Redentor
estou sereno, nem sinal de dor
Vou me deitar com esta cidade...

(Márcio Proença - Marcus Lima - Rodrigo Sestrem)

Samba pra mim (Música)

Quem nunca fez um samba,
já se esqueceu
Que a vida é corda bamba
que se rompeu

E quem fugiu
e quem pulou
quem desistiu
quem se engasgou,
Não quis cantar o samba,
e não viveu...

Eu vim de outras fontes,
de outro lar...
perdido em tantas pontes
pra me encontrar

Atravessei
voltei atrás
cambaleei
e ainda tem mais:
subi no horizonte
pra enxergar melhor!

E foi assim
que apareceu
depois do fim
um samba meu:
o samba que o Proença
fez pra mim.

(Rodrigo Sestrem - Márcio Proença)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Beijo Roubado

Foi o Sol, tranquilo,
foi dormir...
Deixa a Lua guiar os sonhos todos!
Já chegou apressada, ainda dia,
quase cheia, mais que branca,
só pupila...

Ela viu!
Ela foi testemunha,
ela foi cúmplice!
Era o olho do céu
mirando a praça...

Rio Vermelho,
és tão reles quanto és mágico!
Palco que não cobra pauta,
palco que não tem censura...
Crimes, acarajés, festas, despedidas,
teu roteiro é vasto,
teu público é maior...

Mas hoje fui ator e personagem...
Hoje te agradeço,
pois, mesmo no improviso,
a moça linda me roubou um beijo...

E só uma cadeira estava ocupada...
só um espectador...
uma Lua...
um luar...
um lugar...

Eu bem sei que ela sorriu,
gargalhou de mim, poeta,
pego assim, de surpresa,
presa fácil da moça mais linda...

Nada é mais doce que ter um beijo roubado...
Talvez pegá-lo de volta...
E devolver...
Pegar de volta...
E devolver...
...

Eita, que agora Ela faz todo o sentido!

(Rodrigo Sestrem)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Cachoeira (Música)

Cachoeira
Cidade que encanta
Nem sei bem por quê
Brincadeira
Uma saudade tanta
Mar que não se vê

Poesia
Versos de um rio
Rima é correnteza
Mais um dia
Nem calor, nem frio
Nenhuma certeza

Veja
Não tanjo rebanhos de verdades
As saudades é que seguem meu caminho
Busco
A correria louca das cidades
Quando o que eu preciso é estar sozinho.

Aventura
Atravesso a ponte
Vou e volto em vão
É loucura
Ver no horizonte
Qualquer solução

Imagina
Ser bem mais que um homem
E ainda sonhar
É a sina
Quando os sonhos somem
Nos resta esperar.

(Letra: Rodrigo Sestrem / Música: Gil Meireles - Juliana Ribeiro - Soluz Terrarium - Ricardo Bacelar - Hermógenes Araújo - Miguel Franco)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Segura o Passo

Segura o passo que eu vou chegar
se o pulso passa, meu peito finca o chão
promete as linhas que passam na tua mão
e nesse passo eu sou
a velha estrada sempre a te esperar
de passo em passo eu vou
passando a vida inteira a te guiar.

(Rodrigo Sestrem / Leo Pinheiro)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Pareia (Música)

Eu vi o Amor dançando frevo,
na avenida, eu vi o trevo
brotando
e as quatro folhas eram cada estação

E era um corpo primavera
florecendo, e sendo o outono
nos passos
caindo e rindo, e o riso era um verão

E o inverno eram seus olhos,
lareira, verde fogueira
aquecendo
batendo o pé, cavando um poço no chão

e eu era a luz de uma candeia,
parceiro, era pareia,
poeta que não bobeia e leva o Amor pela mão

Eu vi o Amor brincando os passos
guerreiros, eu vi os primeiros
passos dela, Bela,
e a rua cheia era o seu lar

E lá de longe, comovida
toda a gente era bem-vinda
ao mundo lindo
da menina que queria dançar

e era o Amor dançando frevo
na praça, só de pirraça
sorria,
e quando me via, começava a pular,

e eu era a luz de um meio-dia
pareia, era a alegria
inocente de uma criança que começa a brincar.

(Rodrigo Sestrem)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sintoma de Abandono (Música)

Ela me disse
que era hora de ir embora
que o homem, quando chora,
não vale a pena ficar

e eu parado
secando a chuva dos óio,
quanto mais choro e não móio
mais difícil disfarçar!

Cidade grande
é coisa muito interessante
cabra macho retirante
traz peixeira e traz punhá!

Mas no primeiro
sintoma de abandono
cabra macho perde o sono
e já sente a faca envergá...

E quanto mais
o tempo vai passando
a cidade vai buzinando
as histórias do lugar

Quem sabe agora
esse homem já não chora
pois quando a saudade aflora,
logo começa a cantar!

(Léo Pinheiro - Renato Luciano - Rodrigo Sestrem)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Ordem natural das coisas

Até quis escrever sério,
falar de política,
fazer versos críticos,
falar do universo,
etc e tal...

Busquei metafísicas,
tentei dicionários,
li jornais, revistas,
só pra me inspirar...

Ouvi cotidianos,
mergulhei no trabalho,
me instiguei revoltas,
fingi revoluções...

Mas de nada adiantou...

Tá aqui:
Mais um poema de amor pra você...

(Rodrigo Sestrem)