sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mais um dia no Sertão

Todo dia acordava antes dos sol
se ajoelhava e pedia saúde pra ele e para os seus.
Café era o prato de ontem.
Sempre esperava o atraso do sol,
uma folga, um tempo a mais pro torresmo fritar...
Mas nem o sol atrasava,
nem havia torresmo.
Mas havia coragem e havia medo também.
Mas o forte não sente medo,
nem chora, nem sente dor,
mas acredita na vida
e não pede tempo, nem sai do prumo.
Quando o sol finalmente escala o céu e mostra a cara,
ele chega a sorrir,
saboreando o café dormido,
já velho conhecido de seu bucho.

(Léo Pinheiro e Rodrigo Sestrem)

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