sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pouso das Palavras

(Ao Poeta Damário DaCruz)

Se aprendi
o segredo das pipas?

Sim.

São palavras que voam
presas à linha do poeta.

O cerol são as rimas cortantes,
cores pintadas por metáforas em pincel.

Sim.

São palavras que voam.

E que têm seu pouso
no aeroporto que você
construiu pra elas.

(Rodrigo Sestrem)

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Nordestino

Nordestino, antes de tudo,
É um povo dos mais forte...
Pois é preciso coragem
Pra deixar o nosso norte
E seguir, pro sul distante,
Se vestir de viajante
Caminhar junto com a sorte.

Não tem que temer a morte
Não pode fugir da meta
Seguindo a estrada longa
Desenhando a própria seta
E cantando a vida em rima
Pois a gente lá de cima
Quando nasce, já é poeta.

No meu caso, já acerta
Quem diz: “esse já sofreu”!
Eita, verdade terrível!
Mas só quem sabe sou eu!
Haja prosa pra contar!
Se ocês quisé escutar,
Conto já o que aconteceu.

Vim de lá mais a família
Meus menino, minha muié
Nas trouxa, poucos pertence
Nos peito sobrava fé!
E os óio sempre cansado
Rezava, ajoelhado,
Pedindo viver de pé!

Quando consegui emprego
Fui vivê de tocador
Tocava mambo e bolero
Eu batucava o que for!
E se é o forró que retumba,
Na falta de uma zabumba,
Atacava de bongô!

A muié voltou pro norte
Num dava pra sustentar...
Os menino foram junto
Que aqui não tinha lugar.
E eu, buscando uma vida
Cá nas terra prometida
Sedento na beira do mar.

Nordestino, antes de tudo,
É povo que sempre luta
Não deixa morrer a honra
Não treme numa disputa.
Quando precisa, ele fala,
Se for melhor, ele cala
Se é necessário, ele escuta.

Vai buscar sonho no sul
Fugindo da terra agreste
Do sol que lhe queima o couro
E o couro que ele veste.
E sonha que a chuva desça
Que molhe sua cabeça
Que refresque seu nordeste.

Deixando a terra natal
Chegando na tal cidade
Buscando o sonho de vida
A simples felicidade!
Correndo o risco da fome
De esquecer o próprio nome
De mergulhar na saudade.

Saudade de sua terra
Onde deixou sua gente
Das roça de sua família
De cada planta ou semente.
Das noites de cantoria
Das rezas, das romaria,
Do sol tão forte, tão quente.

O sol, senhor dos seus dias
Vigia, permanece a pino
Até o fim, desde o início
Regendo o nosso destino.
Um dia, eu volto pras terra
E o mundo vai saber quem berra
Esse canto nordestino.

(Rodrigo Sestrem)