segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Deus, admita que errou

Vim até sua casa, meu Senhor,
Pra mó de preguntá umas pregunta...
Inocentes... mas quando a gente junta
Vira uma confusão de dar pavor!
Por isso não se ofenda, faz favor,
Que gênio eu bem sei que eu não sou.
Mas por todo lugar por onde eu vou
Vejo umas coisa estranha, esquisita...
Peço que não se avexe e nem se omita
Ora, Deus, admita que errou!

Vou te dar um exemplo, e não brinco!
Diga logo, pra início de conversa:
O senhor já viu coisa mais perversa
Que criar o pobre do ornitorrinco?
O senhor tinha que ter mais afinco
Podia ter um pouco mais de tato.
Quem pintou universos sem retrato
Não tem porque não ter se decidido...
E até hoje o bichinho lá, perdido,
Sem saber se é um castor ou se é um pato!

Outro pobre coitado, o elefante,
Com um rabo no lugar do nariz
Pense na sinusite do infeliz
E nos litro de descongestionante!
E existe algo mais deselegante
Que a girafa com aquelas perna fina?
Agora, Pai do Céu, só imagina
Se a coitada se engasga cuma planta?
Tenha medo dessa dor de garganta
Quero ver que banca tanta aspirina!

Outra coisa que eu não vejo por quê
É pra que que existe a tal subida...
Por mim, existia só descida
Que é mais fácil e mais bom de se fazer!
Mas tá certo, nós vai fazer o que?
Vou dizer, e espero não repetir:
Era só o caso de corrigir
Um ditado que é muito do mal feito,
Pois pra baixo eu mesmo dou meu jeito
Os santo tem que ajudar é pra subir!

Tô pra ver brincadeira mais sem graça
Que essa coisa chamada de velhice
Que ainda traz junto com ela a calvície
E é aquela lisura nas carcaça!
É uma dor de coluna que não passa
Dieta pra cuidar do coração
A barriga virando um butijão
Uns buraco sem fundo na memória
E a diversão maior fica pra história
Já não sobe mais nada, só pressão!

O Universo na segunda-feira
Na terça, asteróides e cometas,
Na quarta-feira foram os planetas
Na quinta, mares, vulcões e clareiras.
A bagunça nasceu na sexta-feira
Tendo nos bicho alguns dos seus engano
No sábado inventou o ser humano
Criando duas besta numa leva!
Domingo adormeceu olhando Eva
E aí a criação foi pelo cano...

(Rodrigo Sestrem - Emílio Dantas)