sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Nas Curvas do Rio (Música)

Naquela curva do Rio
não tem canoa não...
Naquela curva do Rio
tem automóvel!

Passando rente
pela gente
na calçada fria
Passando rente
indiferente
ao violão
E a gente
crente que ainda
ia ser feliz um dia
Cantando e
assobiando
outra canção!

Na outra curva do Rio
num tem mais tronco não...
Na outra curva do Rio
tem viaduto!

Passando por cima
da gente num
caminho reto
sem saber
bem ao certo
pra que tá no ar,
como um atalho
pra ir em busca
de um sonho concreto,
pra quem
não tem
mais tempo de sonhar!

E nessa curva do Rio
num tem mais peixe não...
E nessa curva do Rio
tem Fast Food!

Chamando o
bucho da gente
feito bóia-fria,
comida quente
indiferente
à digestão!
E a gente
crente que algum dia
ainda se sacia,
sem ter que
colher tudo
num balcão!

(Rodrigo Sestrem / Renato Luciano)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Onda Antiga (Música)

Lua
és Senhora, Dona, Mãe,
Mulher do mundo.
Nos derrama
as ondas vindas do
ventre profundo.

Águas
curativas, fontes vivas
berço antigo
Nos leve
consigo, nos abrigue
nos ensine assim...

Ouça a enchente da maré
sussurrando algum segredo
Molhe os pés, não tenha medo
Dispa inteira a tua fé.

Onde anda a onda antiga?
Primeiro sopro do vento?
A folha em branco, o momento
em que se compôs a Cantiga?

Canção que ninou a terra
na primeira trovoada.
De quem era a voz cansada
que tanto segredo encerra?

Ouça a enchente da maré
sussurrando algum segredo.
Mergulhe, não tenha medo
Molhe e enxarque a tua fé.
A resposta não dá pé,
tá na ponta do horizonte.
Quando descobrir, não conte!
Leve o segredo adiante
que logo é maré vazante,
seguindo de volta à fonte.

(Rodrigo Sestrem)