quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pandeiro de Gente (Música)

Quem faz andar a ciranda?
Quem faz andar a ciranda?
Quem faz andar?

São os passos tranquilos
de alguns andarilhos
sem pressa em chegar...

Olha lá
Essa roda que chega ali
É a casa de quem chegar
É um berço onde eu já nasci...

É um pandeiro de gente
que toca somente
o que a gente quiser tocar...

Quem faz rodar a ciranda?
Quem faz rodar a ciranda?
Quem faz rodar?

É quem sabe que o mundo
foi feito redondo
pra gente girar...

Sabe lá
Quanta gente ainda está por vir
Quanta água ainda vai rolar
Quanto verso ainda vai surgir...

Quantas voltas e reviravoltas
da nossa ciranda
ainda vão brotar...

(Rodrigo Sestrem)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Teu lugar (Música)

Quando o Tempo te arrodeia
Vaza o Rio, escorre a areia
Já não dá mais pra parar...
Pega a estrada, escolhe o rumo
Rasga a fruta e guarda o sumo
que é pra quando precisar...

Não deixa pra trás qualquer vontade
que possa fazer você voltar
Descubra o caminho pelo cheiro...
Carrega no bolso tua saudade
Desenha nos olhos teu lugar
Traz na tua trouxa teu pandeiro!

E quando passar beirando a Lua
Dedica-lhe os passos e o olhar
Pois ela é tua Mãe na noite escura...
Esquece o Futuro que insinua
Esquece o Passado que é só ar
E faz do Presente tua loucura!

(Rodrigo Sestrem)

Couro e Platinela (Música)

Ah, se essa rua fosse
só de couro e platinela
eu morava nela, meu nego,
eu morava nela, meu irmão!

Ah, se esse mundo inteiro
fosse a face de um pandeiro
Acabava nunca, meu nego!
Acabava não!

Quando ouvir a batucada
invadindo a tua janela
avançando a madrugada,
embaçando a tua tela.

Sai pra rua, vem com a gente
deixa a Lua ser teu mapa
O Destino é mais em frente
(Olha o destino ali em frente!)
É veloz, mas não escapa!

Deixa vir o tamborim
Vai chamar surdo e tan-tan
Vai sair lá do Bonfim
pra só parar em Itapuã.

Quando o Sol tiver chegando
e algum galo despertar
Vai ser tanta voz cantando
(Eita! Quanta voz cantando!)
Ele vai ter que acompanhar!

(Rodrigo Sestrem)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Desafio

(Baixo)
Tu é grande mas num é dois!
Tamanho num é documento!
Tu é pau-de-virar-bosta,
é mastro sem catavento!
É só pão sem sal, mal-feito
que exagerou no fermento!

(Alto)
Exagerei no fermento,
mas você num viu nem grão!
Desde que nasceu, encolhe!
É chaveiro de anão!
Minha bola é de basquete,
a tua bola é um limão!

 Embola a bola no improviso e não me enrola!
 Você diz que é bom de bola quero ver você jogar! REFRÃO
 Embola a bola no improviso e não me enrola!
 Você diz que dá na bola, na bola você não dá!

(Baixo)
Minha bola é um limão,
mas você é que é azedo!
Uns cabelos de Medusa!
Cara feia de dar medo!
Tu é árvore já podre,
que eu derrubo com um dedo!

 (Alto)
Tu derruba com um dedo,
e eu te esmago sem receio!
Tu é só erva daninha!
Não tem casca nem recheio!
Pelo menos sou inteiro,
enquanto tu é apenas meio!

 (REFRÃO)

 (Baixo)

Posso ser apenas meio,
mas você é um desperdício!
Não pula de Boongie Jumpie
Pois dá pé no precipício!
Sou madeira em Bangalô,
você é concreto em edifício!

 (Alto)
Pois se eu sou um edifício,
o fato é que eu nem te noto!
Tu é casa de cachorro!
Nunca aparece na foto!
Quando eu tô num mar tranquilo,
você tá num maremoto!

 (REFRÃO)

 (Rodrigo Sestrem - Léo Pinheiro - Oswaldo Montenegro)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Profetas da Chuva

Chuva chega logo em breve
quem não traz que leve
nuvem leve atrás do Sol
chega nesta sexta feira
molha a terra inteira
prepara o anzol

Pescar...
Pescar sonho no açude
antes que se mude
do sonho pro despertar
Navegante do Agreste
barco é o que me veste
e o sertão, meu mar!

 (Rodrigo Sestrem)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Açude Grande

Matuto olhando pro mar
Com cara de abestalhado
Pensando: "Que açude mais grande, meu Deus!"
 O Malandro, vendo aquela cena farta,
ajeita o nó da gravata
e diz sorrindo: "É todo meu!"

 "Esse açude é herança de família
 Ia dar pra minha filha, Mas ela enjoou!
 Tô vendendo assim meio no susto
 a preço de custo Ele é seu, se gostou!"

 E o Matuto, que de bobo não tem nada
vendo a conversa fiada respondeu calmo e cortez:

 (Falado)

"Assim, Dotô: O açude é muito bão
 e o dinheiro tá na mão pra pagar de uma só vez.
 Com a condição dele vir todo cercado trancado com cadeado!
 Ou o senhor acha outro freguês!"

 (Rodrigo Sestrem)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Espera

A Espera é o olhar na mata densa
Tudo vê, tudo mede e nada move
Vira terra molhada quando chove,
Quando é sol, vira nuvem e se condensa.
É uma fera que não age nem pensa:
só reage ao momento mais propício!
Se é afoita, arrisca o precipício...
Se é lenta, amarga outra fome...
A Espera garante o que consome
Se conhece e controla o próprio vício.

(Rodrigo Sestrem - 20/01/12)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cordelando o Pife Muderno

(Feliz aniversário ao Mestre Carlos Malta!)

Num país tão brasileiro,
desde o sul, norte e nordeste,
surge um som cabra da peste
lá no Rio de Janeiro,
Pelas mãos de um pifeiro
hermeticamente formado,
Depois do time escalado,
transforma em verão o inverno!
Ao som do Pife Muderno
não há quem fique parado!

O batuque chega insano
liderando o carnaval:
na zabumba de Durval,
no pandeiro de Suzano.
E pra completar o plano,
Bolão na caixa é retado!
Com o pandeiro de Bernardo
o batuque fica eterno!
Ao som do Pife Muderno
não há quem fique parado!

Guiando o vento na flauta
entre um salto e uma queda,
tem o bansuri de Déda
e o pife de Carlos Malta!
Agora nada mais falta!
Esquece já teu passado!
Te entrega ao som afinado!
Desabotoa o teu terno!
Ao som do Pife Muderno
não há quem fique parado!

Mesmo que lhe falte a rima
ou que acabe o seu papel,
pra completar o cordel
Poeta não desanima!
Relê de baixo pra cima
(e ouve o sopro sincopado...)
Se tá dado o seu recado,
fecha e batuca o caderno!
Ao som do Pife Muderno
não há quem fique parado!

(Rodrigo Sestrem - 2006)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Casa Nova (Música)

Olha, Menina bonita,
Escuta já o que eu te digo:
Pega as tuas trouxas,
Vem já comigo!

Toda e qualquer caminhada requer um começo...

Olha, Menina bonita,
Teu sonho e o meu são um só:
Ver nosso laço
tornar-se um nó!

Compartilhar essa estrada e o mesmo endereço...

Fecha os teus olhos
Pra eu te guiar no caminho.
Este barulho de mar
é a voz do Vizinho.

A chave você já tem:
É a chave do meu peito também...

Abre os teus olhos
e a porta do lar,
nosso ninho.

(Rodrigo Sestrem)