sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cordelando o Pife Muderno

(Feliz aniversário ao Mestre Carlos Malta!)

Num país tão brasileiro,
desde o sul, norte e nordeste,
surge um som cabra da peste
lá no Rio de Janeiro,
Pelas mãos de um pifeiro
hermeticamente formado,
Depois do time escalado,
transforma em verão o inverno!
Ao som do Pife Muderno
não há quem fique parado!

O batuque chega insano
liderando o carnaval:
na zabumba de Durval,
no pandeiro de Suzano.
E pra completar o plano,
Bolão na caixa é retado!
Com o pandeiro de Bernardo
o batuque fica eterno!
Ao som do Pife Muderno
não há quem fique parado!

Guiando o vento na flauta
entre um salto e uma queda,
tem o bansuri de Déda
e o pife de Carlos Malta!
Agora nada mais falta!
Esquece já teu passado!
Te entrega ao som afinado!
Desabotoa o teu terno!
Ao som do Pife Muderno
não há quem fique parado!

Mesmo que lhe falte a rima
ou que acabe o seu papel,
pra completar o cordel
Poeta não desanima!
Relê de baixo pra cima
(e ouve o sopro sincopado...)
Se tá dado o seu recado,
fecha e batuca o caderno!
Ao som do Pife Muderno
não há quem fique parado!

(Rodrigo Sestrem - 2006)

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