terça-feira, 30 de abril de 2013

Duas pontas

Ciclo fecha, flecha alcança,
alvo pego de surpresa
Quem ficou sentado à mesa
pôde enfim encher a pança.
Quando o estômago amansa
é possível pensar claro
é mais aguçado o faro
é mais alcançavel o prumo
pra encontrar o novo rumo
eu não escondo, eu escancaro!

Ciclo fecha, nova dança,
nos passos dos ancestrais
rugas sempre sabem mais
que assaduras de criança.
Quanto mais o tempo avança,
mais passado se acumula
Pensamento coagula
quando não se quer pensar...
Se o futuro te engasgar,
Nem tente cuspir, engula!

Ciclo fecha, outro inicia,
Novo deus tá a caminho
Morte é Vida após moinho,
Vida é Morte enquanto adia.
Duas pontas, noite e dia,
que se encontram na alvorada
O eterno é quase nada
Nada, sim, é o Infinito
E a ilusão, o sonho, o mito
A Verdade disfarçada.

(Rodrigo Sestrem)