sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Meu silêncio

Senti falta do silêncio
Não o absoluto, o supremo.
O silêncio de ideias, de opiniões.

Podem vir os ruídos do cachorro
mijando no jornal
Da irmã caçula
trocando o jornal
De mentiras velhas
mijadas no jornal

Senti falta de não escutar conversas
de não conversar os sonhos
de não sonhar sem agir

Senti falta do fim de noite sozinho
enquanto o sono ainda não chega
do barulho da geladeira
sendo o protagonista de um monólogo.

Podem vir os ruídos de passos
no andar de cima
de copos mal estacionados
de amores de paredes finas
de roncos desafinados

O silêncio de que falo
é meu amigo.

Não é perfeito,
não é bonito,
não é brilhante,
não é blindado.

Mas é meu.
E me conta os segredos mais escandalosos
que meu coração sussurra, desesperado,
durante todo o dia.

(Rodrigo Sestrem)

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