terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Depois eu conto...

Sem saber que era verdade,
Eu busquei...
E os tropeços me doem ainda,
Como saudade da pedra que eu chutei.
Lembro pouco da estrada...
Terra ou asfalto, é possível.
Era estrada, e isso basta.
As placas não diziam nada,
Brancas feito qualquer coisa que não é.
Eram olhos cegos, que não me viam
Mas sorriam quando eu passava.
Nunca sorri de volta...
Até que um dia, cheguei.
Não aonde queria (pois o que é que eu sei do meu destino?)
Cheguei ao fim da estrada.
Sem muros, sem precipícios, sem mares ou rios.
Mas eu sabia que era o fim
E assim, sabendo que a verdade
Tinha ficado lá longe,
Sentei e esperei por ela.
Quando ela não veio,
Sai da estrada
E segui.
Quando eu conseguir sair de onde vim parar,
Eu conto.

(Rodrigo Sestrem)

5 comentários:

Liu Lisboa disse...

Conte mesmo! Que quero ouvir histórias de lá de longe.

Soluz disse...

.'.

Irmão,

Texto tocante... Coisa de um andarilho buscador. Coisa de um não-iniciado que, paradoxalmente, se inicia a todo instante, que toca nuances da vida oculta e assim se auto engendra. Mas há sempre a possibilidade de ser grande e, ao mesmo tempo, incauto. Incauto por deixar a verdade esquecida no caminho e, ao esperar por ela, não vê-la chegar, pois que ela nunca se foi, estava mesmo esquecida apenas. Esquecida, mas dentro de si todo o tempo. Incauto por imaginar ou ter esperança de que pode se contar mentiras, sabendo que o maior juiz está sentado em lugar privilegiado e munido de todas as provas...

Impossível teres saído da estrada, tu és caminhante, és tal o Arcano que leva as numerações 0 e 22, estás fadado a não saíres de onde vieste parar. Pois o lugar onde vieste parar é chão sempre. Não há como parares e saíres da jornada. Mas eu aguardo que me contes, mas tu sabes que antes terás de contar a ti mesmo sobre tuas próprias Vontades e verdade.

Bênçãos maiores!

Luz!

'.'

Bella Flor disse...

Nem sempre é bom seguir a mesma estrada, vai ver que era ela qm estava te esperando, você só pegou o caminho errado, ou o caminho mais longo, nem sempre o fim é realmente o fim. É meio piegas, mas o fim pode ser tb o começo, qndo a estrada acaba não qr dizer q acabou a caminhada!^^
Espero q não demore mto pra me contar.

Beijo Digo...

Mamá disse...

Lindo Poeta,

Suas palavras se embolam na barriga da gente, como borboleta passeando dentro, traz um vento bom, e traz também traz ventania. Esse é ventania, daquelas que sussurram versos calejados .

"E os tropeços me doem ainda,
Como saudade da pedra que eu chutei."

É lindo. Lindo...

saudade.

Mayra disse...

Ainda está vagando, ou já chegou a algum lugar fixo? =)Apareça, que eu estou com saudade!!

Beijo grande, e nem preciso dizer, belíssimas palavras, sempre!