segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Overdose

Poesia demais anestesia
Cada verso é uma dose de morfina
Cada rima ilude e alucina
E uma métrica certa é o que vicia.
E o torpor travestido de alegria
Sempre esgota em plena madrugada.
Com a próxima dose preparada,
O poeta espanca sua veia,
Qual aranha picando a própria teia,
Se injeta outra estrofe já sonhada.

E assim segue o poeta viciado.
Quando fuma cordéis, cheira os modernos.
Guarda tudo escondido nos cadernos,
Transmutados em tintas e papéis.
E aceita com calma o seu revés,
E paga qualquer preço ou valor
Pela morte de não sentir mais dor.
Ao trocar a morfina por cicuta,
Ele alcança o final de outra disputa,
Qual poeta que morre com o Amor.

(Rodrigo Sestrem)

Um comentário:

Cíntia disse...

O poeta não morre, nasce de novo! Pra outra vida e outros versos que correm dentro de suas veias.
Como pode o poeta calar-se se dentro de sua cabeça brotam palavras de amor que se fundem e formam os mais lindos versos?
Seria eu a espectadora mais fanática a esperar pelo poeta quando ele se distrai, posso cuidar de suas feridas e trazer flores belas, assim faria todos os dias até que atraves destas janelas o sol nascesse ao poeta e de versos dolorosos viessem luz e palavras belas!
Por que da palavra vive o poeta, das rimas ele se alimenta! E do amor por elas sobrevive!
Eu espectadora...assisto e aplaudo a vida do poeta!