sábado, 24 de janeiro de 2009

Grito no Canto

Teu silêncio é um grito que me cega
e é tamanha a entrega que me queima
é a chama de outro menino que teima
em deixar cair fogo, e nunca pega.
É o mundo que roda e não sossega
fica tonto e tonteia toda a gente
e a razão, de tão certa, tá demente
já não sabe chorar sem fazer bico
e eu, cansado, de besta, ainda fico
esperando o que já tá lá na frente.

E o meu grito é tão mudo que não muda,
não transforma o vazio ao meu redor
é tijolo que, ao vento, vira pó
é um herói suplicando por ajuda.
E não há mais nenhum deus que acuda
são todos ocupados com o futuro
eu tentei, chamei todos, sério, eu juro,
mas não houve resposta ao meu chamado
Versos não valem um tostão furado
e ainda são responsáveis pelo furo.

Te convido, então, pra fazer coro,
pois quem sabe se assim alguém escuta,
e escutando, nos vê, e sem disputa
nos coloca no colo sem agouro.
Num instante, apaga o desaforo
e nos dá um xarope pra garganta
Numa cura que nunca adianta
mas que acalma e ilude o nosso peito
e no amanhecer de um outro jeito
ao invés de gritar, a gente canta.

(Rodrigo Sestrem)

3 comentários:

Cíntia disse...

Nem preciso dizer q seus textos me instigam e inspiram....meu amigo Baiano...vc que sumiu e eu que fiquei aqui na saudade!
BJokas...espero que estejas bem!

Soluz disse...

.'.

Irmão,

É isso! Pra quê a disputa? É verdade que ela pode trazer melhorias e novas formas de ver... Mas o bom mesmo é que seja a disputa de mãos dadas, onde os cantos podem sair e as palavras, mesmo que aparentemente afastadas, estejam unidas e conexas.

Beijo grande, cara!

'.'

Maviael Melo disse...

Então pronto juntemos nossa voz
Pra enfrentar a batalha da labuta
Pois não quero em verdade, essa disputa
De quem faz esse coro tão feroz
Ser poeta, é lutar sem ser algoz
Desenhando em versos a nova aurora
Definindo a saudade de quem chora
Numa quadra que enquadra outra poesia
Sou poeta e irmão da alegria
Pra cantar com você a qualquer hora!