quinta-feira, 9 de abril de 2009

Côco Miudinho (Música)

Quem canta esse côco com a gente
quem toca com palma de mão
no peito, já planta a semente
dos olhos, já brota a nação

Eu canto côco,
canto côco miudinho
moído lá num moinho
com as pás de minha nação!
Feito das brisas
de uma flauta de taboca
faz gente sair da toca
e arrastar pé nesse chão!

Ouça o que eu digo
Juro, tô falando sério,
desvendo qualquer mistério
e desafio assombração!
Por uma chance
de soltar minha voz no mundo
não paro nenhum segundo,
me alimento da canção!

Eu canto côco,
canto côco firme e forte
sou do sul, mas vim do norte
visto a cor do meu país.
Trago no sangue
suingue lá da Bahia
e misturo na poesia
versos de vários Brasis!

A minha terra
é um país que é continente
de sotaques diferentes
mas de sonhos tão iguais
Sonhos sonhados,
esquecidos, resgatados,
encardidos, perfumados,
impossíveis, mas reais!

Eu canto côco,
baião, galope, xaxado,
com gente boa do lado
eu canto tudo o que quiser!
Sou cantador
do verso pronto e do improviso
e sei do que mais preciso
que é o do amor de uma mulher.

A voz me guia
nas estradas da saudade
pelos becos da verdade
sobre as pontes da ilusão...
Sou andarilho
e improviso cada passo
mas não saio do compasso
levo a rima pela mão!

Eu canto côco,
toco côco e danço côco
pra alegria pouco a pouco
clarear todo o lugar
A Vida passa
com sua pressa costumeira
ouve a nossa brincadeira
e pára um pouco pra dançar.

E a Vida canta
com sua voz jovem e idosa,
jatobá e botão de rosa
donos da mesma raiz
Na terra fértil
de um povo que acredita
que a tal Vida é tão bonita
que ainda dá pra ser feliz!

Quem canta esse côco com a gente
quem toca com palma de mão
no peito, já planta a semente
dos olhos, já brota a nação

(Rodrigo Sestrem)

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