domingo, 22 de novembro de 2009

In Vino Veritas

Não se preocupe com o poeta, não...
Sua poesia é mais viva que ele,
é seu oxigênio,
é seu vinho, seu mar...
Deixa o poeta rimar,
pois sem rima e sem métrica
a vida não vale,
o mundo não gira,
as férias não chegam...

Tantas constelações,
e o poeta só mira uma estrela...
que não está lá...

Deixa o vinho reger,
que a orquestra só toca
o que o poeta quer ouvir...
E que transbordem verdades!
E que borbulhem saudades!
E que gargalhem distâncias!

Pois o poeta entendeu...
Pois o poeta aprendeu...

Então, menina,
aceite seus versos,
sem medos, sem gestos,
apenas sorria...

Pois nem sempre o mundo
te chega já pronto,
lindo, perfumado,
vestindo poesia...

A noite, tão curta,
tão longe, tão linda,
se lembra, ainda,
do poeta criança...

E a taça, vazia,
vasculha o céu negro,
encontra a estrela,
e grita, e avança!

E o poeta sorri...
Pois entende que, no fim,
o que vale do encontro,
é apenas o encontro...

O resto, é depois...

Ao mestre poeta,
o poeta aprendiz
agradece, sorrindo...
se despede, feliz...

(Rodrigo Sestrem)

2 comentários:

CamilaCunha disse...

Estava funhanhando o orkut procurando informações sobre a Cia mulungo e encontrei esse blog.
Adorei, moço!!! Mto talentoso!!!
Parabéns!!!

Bju,
Camila Cunha

alineao disse...

Abençoados sejam os poetas que tecem os fios de poesia para vestir o mundo. Como seria possível encara-lo sem tais adornos?