segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Sem soltar a mão

Eu te amaria a qualquer momento
E por todos eles, depois disso…

Te amaria pela tua força bailarina
Pelo teu sorriso doce, pedindo colo…
Te amaria pelo teu corpo árvore,
Pelos teus pés raízes
Pelas tuas mãos nuvens,
Pelos teus olhos estrelas…

Só amaria… a qualquer momento,

Mas não agora…

Por te amar, sem saber disso, talvez por isso,
Não te amo agora…

Mas amaria, a qualquer segundo,

No primeiro descuido de mim
No primeiro passo sem medo
Que meu corpo arriscasse dançar
Em direção ao teu, que dança.

Mas não posso. Não agora.

Agora posso amar teu feminino,
Tua arte de três faces femininas

Teu sorriso donzela
Teu corpo mãe
Tua sabedoria anciã

Mesmo que nunca mais possa te amar,
Te amo e amarei como puder, minha amiga

O mundo é como você: dança…
A vida é melodia improvisada…
Que venham os próximos compassos.

Sem soltar a mão...

domingo, 30 de setembro de 2018

Crisálida

A ideia da não existência ronda feito mosca
as entranhas de meus pensamentos mais expostos...
Onde foi parar a certeza da fé, essa senhora de tantas incertezas?
Medo do escuro de não mais sentir, não mais ser,
não mais ter medo desse escuro, por simplesmente não existir...

Tudo isso seria real se não fosse mentira,
a boa e velha mentira pra si mesmo.
Em algum ponto dessa cabeça dura cética e seca
mora um xamã-bruxo-clérico-ogan
que crê em tudo e todos, sabendo que tudo e todos
falam do mesmo cubo furado dos seis lados...
cada um de um lado dizendo:

Um!

Não! Seis!

Não! Três!

Não! Cinco!

Todos certos e errados, como Shakespeare revisitado: ser e não ser, eis a solução!

Gente! É um dado!!!

Mas, deixando de lado os donos das verdades,
eu tenho medo.
Tenho medo do chá, tenho medo da erva,
tenho medo do medo.

Ser crisálida dói.

São as asas rasgando o medo...

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Amor por uma linha


O Amor tem formatos tão diversos
Por vezes é quadrado, até retângulo
Alcançou certa fama aos ser triângulo
Com fins nem sempre bons, até perversos.
Mas o que eu pretendo com meus versos
é falar de um amor que tá comigo
começou me chamando de amigo
mas gerou a faísca desejada
Fez meu peito cegar, não ver mais nada
Fez meu ego soltar do meu umbigo.

Esse amor me parece tão mais leve
Não se mostra polígono ou esfera
Não parece ter pressa, nem espera
É o que é porque quer, não porque deve.
Tem coragem, se mostra, se atreve,
Quando o relógio grita, ele caminha
Quando fui buscar ter, ele já tinha
Tem a paz calma de quem se conhece
Cada riso que ri é uma prece
Esse amor de que falo é uma linha.

Uma linha é igual a liberdade
É melhor ser laço do que ser nó
É casaco tricotado por vó
É horizonte que brilha e que invade
Mas olhando de perto, na verdade,
Eu percebo meu engano fatal…
Eu não vi além do que era normal
E a verdade estava no diferente
Essa linha era pra se olhar de frente…
Esse amor se tornou ponto final.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Virando a página

Essa máscara pesa toneladas
Mesmo assim, não sinto a coragem necessária pra jogá-la fora
O rosto cansado de sorrir e de rimar métricas
Os pés buscando as flores que as estrelas plantam
As mãos são barcos soltos pelas ruas cheias de pastos
Vacas
Facas
Sacas
Ancas que balançam ao relento

Cansei de tentar
Tentativas tem passivas consequências
quando não acreditamos nelas com nosso fígado

É preciso ter fígado pra crer
É preciso ter estômago pra seguir

A poesia é a musa, a mãe, sagrada fonte que ainda me banha
O resto é quase luz de poste sem vontade de ser

Não estou triste, embora soe
Soar é só ar, é sonhar notas
Realizar melodias é o grande ponto

Essa máscara é tão leve que me derruba
Esse sonho é tão de outro que não me abraça
O meu segue me chamando, embora não me veja

Os olhos dele são meus, e eu não me vejo
Sonho cego como o sonhador

Não, não estou triste
Estou quase folha seca
Melancolia simples, sorriso de olhos vazios
Talvez seja a pausa, o meio da folha ao virar a página,
quando ela se torna fina a ponto de não existir, até que volta

Estou virada de página
Estou continuação

Quem quiser me ler, que leia
Tento me escrever...

É preciso terminar o bolero antes de dormir
A flauta, o trompete,
O bambu, o chifre,
Sinônimos
Como eu e a virada de página
Todos filhos do mesmo ingrediente sagrado:

TEMPO

(Vide página anterior...)

(Rodrigo Sestrem)