domingo, 30 de setembro de 2018

Crisálida

A ideia da não existência ronda feito mosca
as entranhas de meus pensamentos mais expostos...
Onde foi parar a certeza da fé, essa senhora de tantas incertezas?
Medo do escuro de não mais sentir, não mais ser,
não mais ter medo desse escuro, por simplesmente não existir...

Tudo isso seria real se não fosse mentira,
a boa e velha mentira pra si mesmo.
Em algum ponto dessa cabeça dura cética e seca
mora um xamã-bruxo-clérico-ogan
que crê em tudo e todos, sabendo que tudo e todos
falam do mesmo cubo furado dos seis lados...
cada um de um lado dizendo:

Um!

Não! Seis!

Não! Três!

Não! Cinco!

Todos certos e errados, como Shakespeare revisitado: ser e não ser, eis a solução!

Gente! É um dado!!!

Mas, deixando de lado os donos das verdades,
eu tenho medo.
Tenho medo do chá, tenho medo da erva,
tenho medo do medo.

Ser crisálida dói.

São as asas rasgando o medo...

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Amor por uma linha


O Amor tem formatos tão diversos
Por vezes é quadrado, até retângulo
Alcançou certa fama aos ser triângulo
Com fins nem sempre bons, até perversos.
Mas o que eu pretendo com meus versos
é falar de um amor que tá comigo
começou me chamando de amigo
mas gerou a faísca desejada
Fez meu peito cegar, não ver mais nada
Fez meu ego soltar do meu umbigo.

Esse amor me parece tão mais leve
Não se mostra polígono ou esfera
Não parece ter pressa, nem espera
É o que é porque quer, não porque deve.
Tem coragem, se mostra, se atreve,
Quando o relógio grita, ele caminha
Quando fui buscar ter, ele já tinha
Tem a paz calma de quem se conhece
Cada riso que ri é uma prece
Esse amor de que falo é uma linha.

Uma linha é igual a liberdade
É melhor ser laço do que ser nó
É casaco tricotado por vó
É horizonte que brilha e que invade
Mas olhando de perto, na verdade,
Eu percebo meu engano fatal…
Eu não vi além do que era normal
E a verdade estava no diferente
Essa linha era pra se olhar de frente…
Esse amor se tornou ponto final.